17 de novembro de 2018 - 02:28

Brasil

23/05/2017 09:29

Exportações da América Latina crescem pela primeira vez em quatro anos

O aumento dos preços das matérias-primas impulsiona a ampliação das vendas ao exterior na região

Bogotá 

As exportações da América Latina e do Caribe subiram depois de quatro anos consecutivos de queda. Cresceram 17% no primeiro trimestre de 2017 graças principalmente ao aumento dos preços das matérias-primas, que são o motor das vendas na região. Os resultados foram apontados por um estudo recém-divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com dados detalhados de 25 países.

Por trás do crescimento das exportações está a melhora do desempenho da economia internacional, que empurrou os preços para cima depois de terem atingido o mínimo em 2016. Se observarmos o volume das exportações, elas cresceram apenas 2,2% (em comparação com 17% em relação ao valor). “O aumento do volume das exportações está muito concentrado no México e no Peru. Neste último país, se deve à abertura de uma nova mina, daí a questão se é pontual ou se conseguirá ser mantido. No México é possível — embora não existam dados para apoiar essa hipótese — que diante das dúvidas relativas à política externa da administração Trump tenha havido uma exportação massiva de estoques. Portanto, é preciso verificar também se isso é conjuntural”, reflete Giordano que, no entanto, não é pessimista sobre o futuro comercial entre os Estados Unidos e seus vizinhos. “A palavra é incerteza, mas não parece tão preocupante quanto poderia se supor”, relativiza.

O petróleo foi o principal responsável por esse aumento das exportações. Seu preço, que terminou 2016 com uma taxa anual negativa de 16%, atingiu no primeiro trimestre de 2017 um nível médio 62% superior. O estudo também aponta que a ampliação do crédito habitacional na China contribuiu para estimular os mercados de ferro e cobre, que experimentaram uma forte recuperação entre o fim de 2016 e início de 2017, com aumentos de 77% e 25%, respectivamente. Em relação aos alimentos também houve aumentos: 9% no caso do café, 16% da soja, 33% do açúcar (sempre medindo os primeiros meses de 2017 em termos interanuais).

O que não se constata no estudo é o aumento das exportações de outro tipo de bens. Giordano, que também é economista-chefe do setor de Integração e Comércio do BID, adverte que a região não poderá continuar baseando seu crescimento em matérias-primas: “A diversificação é um objetivo central. Os formuladores de políticas na América Latina têm isso claro. Mas acredito que seja preciso alertar para que esse novo crescimento não distraia a atenção em relação a essa meta, que é o que aconteceu na última década; como tudo corria bem, parecia que não era preciso se preocupar com outros setores”.

Por países, o que mais cresceu foi a Venezuela, com 75% (principalmente devido ao preço do petróleo), seguida por Peru (39%), Equador (34%), Colômbia (31%) e Brasil (24%). A sub-região mesoamericana (México e América Central) e o Caribe apresentaram aumentos de 11% e 12%, respectivamente.


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