11 de dezembro de 2018 - 05:01

Brasil

19/08/2017 01:50

PF indicia ex-governadores do DF por superfaturamento no Mané Garrincha

A Polícia Federal indiciou dois ex-governadores do Distrito Federal por superfaturamento de mais de R$ 500 milhões nas obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Quando o velho Mané Garrincha foi ao chão, em 2011, a previsão do então governador, José Roberto Arruda, era de que o novo estádio custaria cerca de R$ 500 milhões.

Na inauguração, um ano e meio depois, o Mané Garrincha era o estádio mais caro da Copa: R$ 1,5 bilhão. A Operação Panatenaico revelou indícios que podem explicar parte dessa diferença ou por que ele custou tão caro. A investigação, que foi aberta a partir da delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez, apontou um superfaturamento de R$ 559 milhões.

Os ex-governadores que tocaram a obra, José Roberto Arruda, do Democratas, e Agnelo Queiroz, do PT, foram indiciados pela Polícia Federal junto com outras 19 pessoas, entre elas o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, do PMDB, por suspeita de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude a licitação. Eles chegaram a cumprir prisão temporária, mas foram soltos por decisão do desembargador Nevinton Guedes. 

Os investigadores encontraram no celular de Filippelli fotos de maços de dinheiro. Muitas notas de R$ 100 e R$ 50 empilhadas no console de um carro ou até espalhadas no chão. A polícia disse no relatório que não foi possível “precisar o contexto dessas imagens”.

A Andrade Gutierrez apresentou notas com serviços que a polícia considerou estranhos à obra, como pagamentos de serviços de bufê para a festa do Dia das Mães de uma empresa pública de Brasília; ingressos e camarotes para o jogo que marcou a despedida de Neymar do Santos, em 2013, no valor de R$ 186 mil; além do pagamento de despesas de serviços de suporte, segurança e limpeza de shows como o da cantora Beyoncé e o da banda Aerosmith.

Esses gastos ainda serão investigados. O inquérito encerrado vai ser enviado ao Ministério Público Federal, que deve apresentar denúncia contra os investigados. A polícia disse que foi possível “apontar a realização de um complexo esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e as construtoras Andrade Gutierrez e Via Engenharia, que acordaram o pagamento de vantagens financeiras por meio de processo licitatório fraudado”.

Hoje a manutenção do estádio custa R$ 700 mil por mês e ele acumula prejuízos. O último jogo de futebol foi em maio, a final do Campeonato Brasiliense. Eventualmente, o Mané Garrincha recebe outros esportes, shows e até casamentos coletivos.

O que dizem os citados
A defesa de José Roberto Arruda declarou que não concorda com a interpretação da Polícia Federal e alegou que a licitação das obras só ocorreu cinco meses depois que Arruda deixou o governo.

As defesas de Agnelo Queiroz e da Novacap não quiseram se manifestar e o Jornal Nacional não conseguiu contato com o ex-vice-governador Tadeu Filippelli.

A Andrade Gutierrez e a Via Engenharia afirmaram que seguem colaborando com as investigações.


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