21 de janeiro de 2020 - 06:15

Cultura

FESTA SÃO BENEDITO DO MUTUCA por Gilda Portella

Festa de São Benedito.

Salve São Benedito, Benedito cozinheiro

Salve São Benedito, meu santo padroeiro

Me livre dos inimigos, me livre da traição,

Me livre da língua grande e me de sua proteção.

Salve São Benedito.

(Oração de São Benedito feita na Comunidade do Mutuca)

A Festa de São Benedito da Comunidade Quilombola  Mata Cavalo do Ribeirão do Mutuca  será dia 26 de Janeiro de 2020  das  07 h às 22 h “na casa da  festeira  Maria de Renata de Jesus e Narcisa Ferreira de Jesus, a “tia Coca”, na antiga residência da saudosa Mãe Rosa’’, como faz questão de ressaltar a Líder Quilombola Laura Silva. Marcando assim a tradição local que passa de geração a geração. A realização da festa celebra as manifestações socioculturais e religiosas que fortalecem ainda mais a historia, identidade e memória da comunidade quilombola. 

Nos dias que antecedem a festa a Bandeira de São Benedito vai de porta em porta nos sítios, fazendas e nas casas  de Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Várzea Grande. Visita-se as casas pra cantar e rezar; a família que recebe a Bandeira de São Benedito doa os alimentos que são preparados no dia da festa, quitutes típicos que são servidos aos integrantes da bandeira.

Conhecida como esmola ou Bandeira de Doação. A Bandeira é o símbolo da festa, é a materialização do sagrado, sendo recebida com grande respeito e devoção; é como se a casa ganhasse uma aura de sacralidade que irá proteger e abençoar toda a família. A Ritualística da bandeira: o dono da casa ajoelha-se ou inclina-se a cabeça e toca-a com a testa ou beijando-a, a seguir recebe a Bandeira nas mãos e então percorrem os cômodos da casa, num ato de fé e devoção que marca a identidade e a memória.   

Nos sábados que antecedem a festa preparam-se as barracas, o altar, as bandeirolas, com ajuda dos devotos. Esse trabalho coletivo nas festas religiosas, nas rezas, nas danças, nas musicas, na culinária enaltece a resistência do povo quilombola da Mutuca. Nestes preparativos as pessoas convivem, trocam experiências, contam “causos”, relembram e rememoram eventos e acontecimentos da comunidade. As crianças apreendem as atividades brincando,ouvindo, observando os mais velhos nesses rituais.

Alternâncias das estações do ano, dos acontecimentos e dos sentimentos (alegria e dor, fartura e escassez, nascimento e morte, lutas e vitorias rupturas e união), é o que mantém viva a chama da esperança e do amor que  une a comunidade. Na festa de São Benedito flui à força da existência e do invisível, é o espaço de relações afetivas e ancestrais. 

O som dos instrumentos Ganzá, Viola de Cocho e Mocho (banco de madeira com quatro pernas, revestido de couro de boi), as rezas cantadas, as batidas das mãos, os movimentos da Dança de São Gonçalo, do Siriri, as musicas do Cururuzeiros, improvisadas, entoadas em tons de desafios e repentes, contagia a todos com alegria, fortalece as ligações entre as gerações, reforça o sentimento de pertencimento e de coletividade.

O colorido das saias de chita, os lenços dos dançarinos, os saberes, os sabores, a plasticidade, a coreografia das danças, as afetividades, os sons das festas são compartilhados, recelebrados, revividos, reinventados, fortalecendo e valorizando a multiplicidade de identidades singulares e coletivas. Retomar as potencialidades criativas durante todos os anos ao cheiro de cravo, rosa e flor de laranjeira é poético e transcendental.

  • Dia 26 de janeiro
  • A partir das 07h Dança de São Gonçalo
  • 08 h Chá com bolo
  • 09 h Dança de São Gonçalo
  • 10 h Reza cantada
  • 11 h Cururu e o levantamento do mastro
  • 12:30 Almoço, depois baile, leilão, siriri. 

Após a celebração com a Dança de São Gonçalo, que compartilha fé, sentimentos, valores, crenças, alegria, têm o “quebra torto” chá com bolo que é ofertado a todos os presentes gratuitamente.

A preparação do almoço acontece de forma colaborativa que vai desde a coleta e preparação dos alimentos e distribuição; há partilha dos alimentos, da vida, dos tempos, dos espaços que marcam as relações humanas e a territorialidade.

Depois Leilão e Rifa. O encerramento das atividades é com um grande Baile animado pela banda Os Federais e Xodó da Mamãe.  Apenas será vendido refrigerante e cerveja, espetinho e pastel.

A líder quilombola Laura Silva junto com o grupo de Siriri e Cururu do Mutuca cantará musica de São Benedito: 

Meu são Benedito

Vosso manto cheira

Cheira cravo e rosa

Flor de laranjeira (refrão)

O que santo é aquele

Que vem lá de fora

É São Benedito

e nossa senhora

Meu São Benedito...(refrão)

O que santo é aquele

Que vem lá de dentro

É São Benedito

Que vai pro convento

Meu São Benedito...(refrão)

O que santo é aquele

Coberto de véu

É São Benedito

Que vai para o céu

Meu São Benedito...(refrão)

O que santo é aquele

Que vem no andor

É São Benedito

Com nosso senhor

Meu São Benedito...(refrão)

O que santo é aquele

Que vem da aurora

É São Benedito

e nossa senhora 

Meu São Benedito..(refrão)

O que santo é aquele

Que vem de Belém

Levai nossa Glória

Para sempre amem.


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