26 de setembro de 2020 - 19:21

Cultura

OLHARes PARA sobre CORPUS PRETUS

 

 

A Exposição Virtual Coletiva Corpus Pretus é a primeira atividade da recém lançada virtualmente Casa das Pretas, coordenada por Paty Wolff em gestão coletiva de Gilda Portella, Natália Nogueira, Isabela Ferreira, Antonieta Costa, Jackeline Silva e Juliana Segóvia. A mostra virtual reúne sessenta e cinco artistas (65) de todo o Brasil e uma artista brasileira na Alemanha. São obras em pinturas, fotografias, colagens, aquarelas, artes digitais, esculturas, xilogravura, técnicas mistas, performances de cantorias e poesias, que manifestam a potência criativa das raízes africanas em nossa cultura.

O tema “Corpus Pretus”, é amplo, por isso abriga obras sobre corpos marcados, torturados física e emocionalmente pela Diáspora Africana e período escravocrata no Brasil, posto que isso reverbera nestes corpos e nas relações sociais contemporâneas.Ainda,“Corpus pretus” invisibilizados e sem representantes nos espaços de poder e visões estereotipadas, que hiper sexualizam esses corpus.

 

Para a Profa. Dra. Ana Luisa Alves Cordeiro 

“A exposição Corpus Pretus é espaço estratégico e necessário

Lugar de entrelugares que enfrenta racistas olhares

De afirmação de todo um potencial criativo de pessoas pretas

Historicamente deslegitimado e desperdiçado pelo racismo à brasileira

Desta potência que pulsa, existe e resiste diariamente

De uma vida insistente, que respira, inspira e sempre se quis força motriz!”  

Neste sentido, o tema “corpus pretus” é composta também por obras de ressignificação de imagens e olhares. A representação dos “Corpus Pretus”em situações de afeto, empoderados pela autoestima, dignidade e oportunidades, com suas múltiplas identidades reconhecidas e religados à ancestralidade de matriz africana e afrobrasileira, também compõe a exposição, que foi concebida para conter obras no caminho da descolonização das representações e olhares.

 

Para Maria Sylvia de Oliveira, Presidenta do Geledès-Instituto da Mulher Negra

“A exposição Corpus Pretus tem um significado muito especial num momento em que corpos negros lutam para ter o direito de respirar.Contra a desumanização e a invisibilidade essa exposição nos traz a possibilidade de ressignificar esses corpos pretos, projetando sobre eles a potência criativa do olhar artístico que lhes fecundam vida plena e dignidade.”

 Assinam a curadoria da exposição Paty Wolff (artista visual e geógrafa) e Gilda Portella (artista visual e historiadora), que pensaram e organizaram o percurso expositivo em sete salas temáticas:Corpus pretus de memórias imemoriais, Corpus pretus florescem a bença, Corpus pretus in natura, Corpus pretus movimentam, Corpus pretus transbordam esperanças, Corpus pretus querem continuar respirando e Corpus pretus transcendem o belo.

 

Para a Profa. Dra Cândida Soares, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE) da Universidade Federal de Mato Grosso: 

"Corpus Pretus é uma proposta que parte do histórico, para adentrar no que há de mais extraordinário: a criatividade humana, que se materializa em todas as dimensões da vida e de modo especial na arte. Ao trazer essa exposição, a Casa das Pretas evidencia a força criativa da mulher preta que mobiliza, que movimenta, que toca, que impulsiona. Uma realização cujo significado transcende o aqui e o agora, o visível, o palpável para tocar os sentidos e impulsionar novas perspectivas de olhares e de significados, inspirando novas criações."

 

Para Beatriz Silveira, Advogada, Enfermeira Sanitarista e Articuladora Nacional da Nova Frente Negra Brasileira e no estado do RJ atua na Frente Favela Brasil: 

“Ao abordar a temática da negritude, a carga dos corpos escravizados e, ao mesmo tempo, o acolhimento, afeto e ancestralidade. Possibilitamos que a sociedade pense em corpos pretos sob o viés de uma afetividade aquilombada, que significa a rede de apoio, resistência e afeto que envolve o ser preto, a sua formação social e humana.

Essa rede é sinônimo de proteção e perpetuação de um povo, que mesmo invisibilizado e caçado, resiste. Projetos como esses são necessários porque humanizam. Transformam o objeto em  sujeito. E ao sermos vistos como humanos, geramos uma corrente de empatia e construímos uma sociedade com uma realidade com mais equânime.”

  A exposição virtual pode ser visitada em: https://corpuspretus.wixsite.com/expo/ no período de 25 de julho a 25 de setembro de 2020.

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