10 de dezembro de 2018 - 03:16

Economia

07/05/2018 09:45

Bolsonaro pode prejudicar o agronegócio de MT

Jair Bolsonaro faz um esforço extraordinário para prejudicar o agronegócio de Mato Grosso, caso se torne presidente do Brasil. Não apenas o agro de Mato Grosso, mas de todo o país.

Num aparente esforço de agradar o presidente americano Donald Trump, Bolsonaro resolveu esculhambar os chineses. Xenófobo, atacou o aumento dos investimentos chineses na economia brasileira.

Considerou uma ameaça à soberania do país a compra de várias empresas brasileiras por investidores chineses. Mais: com a deliberada intenção de provocar os chineses, fez uma pomposa viagem pela Ásia em que, além de não visitar a China, ainda foi à Taiwan que trava uma histórica e sangrenta luta de soberania com a China, que reivindica Taiwan como parte de seu território.

Por sua vez, Taiwan enfrenta a China internacionalmente para ser reconhecido como governo legítimo e independente.

Acontece que uma expressiva parte do eleitorado de Bolsonaro - os empresários e trabalhadores do agronegócio estão inclusos - não pode dar-se ao luxo de brigar com a China, o maior parceiro comercial de Mato Grosso.

Curiosamente, as áreas dominadas pelo agronegócio, por seu atávico e conveniente conservadorismo, são as que o candidato aparece melhor nas pesquisas de intenção de votos. Mais conservador culturalmente que os centros urbanos, é natural que os rincões onde prospera a produção agropecuária abrace o agressivo discurso contra os sem terras, a favor do porte de armas e defesa da propriedade rural. No entanto, mesmo o conservadorismo rural tem seus limites.

Desde que Deng Xiaoping resolveu abraçar a economia de mercado, modernizar a China e mostrar para os chineses o saudável hábito de comer, mais de 500 milhões de pessoas ditas comunistas passaram a comprar comida. E Mato Grosso tem uma das melhores plataformas produtivas do mundo para ofertar alimentos aos chineses.

O aumento do consumo da China responde por grande parte da recente prosperidade da agropecuária brasileira. Em Mato Grosso não é diferente. Sozinha, a China é responsável por 43% das exportações de Mato Grosso.

Esse percentual pode aumentar caso Donald Trump resolva continuar com sua estúpida guerra comercial contra a China, pois os chineses comprarão menos soja, milho e carnes dos EUA e comprarão mais do Brasil e de Mato Grosso.

Aliás, no campo econômico, há muito tempo a China deixou de ser comunista. Pode até continuar sendo apenas no viés autoritário do regime, mas a economia é tão capitalista quanto as mais tradicionais da Europa, Estados Unidos, Canadá ou Austrália.

Caso Bolsonaro seja eleito presidente e decida, para adular Donald Trump, realmente brigar com a China, esta vai retaliar o Brasil e Mato Grosso aumentando as tarifas para os nossos produtos agropecuários, como soja, milho, algodão, carnes suínas, de frango e bovinas.

Virá daí a mais profunda crise econômico-financeira que Mato Grosso já enfrentou com consequências trágicas e de difícil reparação. Se a economia americana tem plenas condições de enfrentar a estupidez da guerra comercial que o seu presidente resolveu deflagrar contra a China, Mato Grosso não tem.

Ficamos muito dependentes das exportações para a China. Se a economia chinesa tem um resfriado, a de Mato Grosso tem pneumonia.

Cada vez mais nossa infraestrutura econômica está sendo moldada para exportar para a China. Em contrapartida, Mato Grosso tem atraído a atenção de empresas e investidores chineses que já adquiriram empresas mato-grossenses e continuam com apetite para investir em áreas de processamento de alimentos, ferrovia e energia elétrica.

Inúmeras comitivas de empresários mato-grossenses já estiveram na China e outras tantas comitivas de empreendedores chineses visitaram nosso território para conhecer de perto o fenômeno produtivo que o Estado se tornou nas últimas décadas.

Temos de refletir, calma e profundamente, sobre as graves consequências que a economia de Mato Grosso e a cadeia de negócios da principal base produtiva do Estado podem sofrer com decisões que um possível presidente possa tomar apenas seguindo seus instintos políticos ou convicções ideológicas retrógradas como as do presidente americano.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia, com pós-graduação MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve exclusivamente neste espaço toda quinta-feira. E-mail: vivaldo@uol.com.br


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