19 de novembro de 2018 - 13:13

Polícia

22/10/2018 09:42

Delator revela que apoio de Silval a Taques serviria para blindagem de futura cadeira política

A delação do empresário Alan Malouf, que teve o sigilo levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira (19), revelou mais detalhes do pedido de apoio financeiro e político pedido – segundo ele – por Pedro Taques (PSDB) ao ex-governador Silval Barbosa. No depoimento, Malouf explica que isto serviria para blindagem de futura cadeira política do ex-integrante do MDB.

“Silval Barbosa ia fazer uma aproximação com Taques. Fizemos uma reunião, com o Pedro Nadaf e marcamos o encontro na minha residência. Foi antes da eleição. Entre agosto e outubro de 2014. O governador teve essa conversa no ambiente de churrasqueira que tenho na minha residência. Neste local, ficaram Pedro Taques e o governador à época, Silval Barbosa. Eles conversaram durante 20 a 30 minutos da parte política e de ajuda de campanha”, explica em vídeo (veja abaixo).

 

Depois, o empresário explica que Pedro Taques teria solicitado ao então governador do Estado o valor de R$ 10 milhões para ajuda na campanha: “Depois da conversa, saímos de casa e o Taques disse que estava feita a parte dele, o pedido e o restante nós do grupo tocaríamos. Na semana seguinte, o Erivelton Gasques e o Marcelo Malouf foram até a casa civil conversar com o Pedro Nadaf e abordaram o tema”.
 
“Silval disse que não aceitou os R$ 10 milhões, mas concordou em dar R$ 5 milhões. Os dias foram passando e isso não aconteceu. Isso porque eles não quiseram repassar o valor”, completa o empresário em seu depoimento.
 
Ainda conforme o empresário, não importava que o MDB tivesse um candidato à época. Conforme ele, o forte desempenho de Pedro Taques nas pesquisas facilitou a aproximação dele com Silval Barbosa, que serviria para o então governador “como blindagem para uma futura cadeira política”.
A denúncia
 

Em 19 de abril de 2018, foi homologado o acordo de delação premiada, firmado entre o Ministério Público Federal e Alan Ayoud Malouf, com a finalidade de obter elementos de prova contra os investigados na Operação Rêmora, conduzida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
No requerimento de homologação do acordo, o Ministério Público Federal esclareceu que o relator revelou dados de um esquema de arrecadação de verbas, captadas mediante a doação de empresários, e a formação de chamado caixa dois, destinadas à campanha eleitoral de Pedro Taques ao Governo do Estado de Mato Grosso, em 2014.
Segundo asseverou, o retorno aos doadores consistiria na celebração de contratos, regulares ou não, com o Estado de Mato Grosso. O MPF também destacou a existência de vinte cadernos anexados ao acordo de colaboração premiada, nos quais está descrita a interlocução do delator com o governador e outras autoridades que detêm a prerrogativa de serem processadas no Superior e no Supremo, entre elas o deputado federal Nilson Leitão.
 
Malouf ainda apontou um esquema de desvio de recursos públicos, por meio de fraudes a licitação, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso, durante a gestão do então secretário Permínio Pinto Filho.
Outro lado
Confira abaixo a íntegra da nota emitida pela assessoria do governador Pedro Taques:
Conforme já declarado desde 2016, o governador Pedro Taques nega a prática do chamado “Caixa 2” em sua campanha eleitoral ao Governo de Mato Grosso em 2014 e tampouco autorizou vantagens indevidas a qualquer empresa durante o exercício do mandato. Apesar de citado por delator em acordo de delação premiada, Taques não é réu no processo da chamada “operação Rêmora” e terá direito a ampla defesa nos autos. O governador já constituiu advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça.

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