14 de dezembro de 2019 - 23:10

Polícia

03/12/2019 07:05

2 padres são acusados de abusar de menor e fazer ménage em MT

Os padres J.A.S e T.S.B são investigados pela PJC (Polícia Judiciária Civil) de Rondonópolis (distante 220 quilômetros de Cuiabá) por suposta participação em um estupro de um adolescente de 17 anos em julho deste ano. Conforme a denúncia feita pela família, T.S.B seria o principal autor da violência sexual.

A notícia foi publicada pelo site RDNews, que teve acesso ao boletim de ocorrência registrado por uma tia da virtual vítima. De acordo com o narrado no documento, o rapaz tivera um relacionamento amoroso com o padre T.S.B entre seus 13 e 17 anos, mas em 29 de julho ele se cansou da vida ao lado dele e resolveu dar fim ao namoro.

O sacerdote, que deveria ser celibatário, segundo as regras de engajamento para pastores instituído em Concílio de sua Igreja Católica Romana ainda na Idade Média e que persistiu após a Reforma, decidiu que o rapaz deveria ser violentado como resposta. Mais calmo depois do instinto satisfeito, ele resolveu dar R$ 50 à ovelha supostamente ferida para que esta não falasse nada sobre o assunto a ninguém.

Acontece que a tia ficou sabendo de todo o ocorrido e, ao lado dele, foi até a delegacia de polícia e lá mostrou as conversas mantidas via aplicativo de mensagens (WhatsApp, por exemplo). Nessas mensagens, detalhes da relação dos dois durante esses quatro anos de envolvimento amoroso entre o padre e o rapaz.

Na ocorrência, ela detalhou as investidas do padre e disse que estas começaram depois que a vítima se confessou com ele. Utilizando-se de um juramento sagrado para manter o segredo do que ouve em confissão — outro rito católico romano infringido —, aproveitou-se, sempre segundo a versão da família registrada no B.O, também do fato de ser uma criança de 13 anos e que precisava participar de um curso denominado FAC (Formação de Adolescentes Cristãos) em setembro de 2015.

Na época, o rapaz teria interrompido um relacionamento com um colega de sala de aula da mesma idade porque preferiu ficar com o padre T.S.B depois das aulas do FAC e as confissões. Sempre segundo a versão da suposta vítima, logo que soube dos pendores dos desejos do rapaz, o padre passou a se aproximar cada vez mais dele, conquistando sua confiança, para depois começar a pedir o envio de fotos sem roupa para ele.

Os jovens chamam esse ato específico de tirar fotos íntimas e mandar para outrem de “enviar nudes” (nudez em inglês). Necessariamente envolve aparelhos eletrônicos, o envio pela internet e é assustadoramente comum nos dias que correm.

O fim da corte do padre para “conquistar” o menino foi passar a sair com ele pelo shopping da cidade, local no qual ele pagava-lhe lanches e sempre o presenteava com dinheiro. Agora já com objetivo claro e definido.

Até que um dia padre levou o menino até a casa da avó deste. Lá, tiveram a primeira das várias relações homossexuais mantidas entre eles até este ano, quando tudo terminou.

A idade do padre não foi mencionada pela Igreja Católica em Cuiabá. Nesse quadriênio de envolvimento sexual entre o padre e o rapaz, eles chegaram mesmo a fazer ménage a trois com um coroinha da Paróquia São José Operário.

CELULAR

Segundo o rapaz de 17 anos, em um desses muitos encontros, padre confidenciou uma ex-relação amorosa com o coroinha e que esse menino ameaçava constantemente revelar sua vida dupla de falso celibatário que se envolve com crianças do mesmo sexo quando deveria protegê-las, segundo o evangelho que jurou defender. Para calar o menino, o suborno teria vindo mediante um aparelho celular.

Pelo lado da igreja, sempre e de novo, conforme a versão registrada no B.O, o padre Thiago foi transferido para Alto Garças (distante 360 quilômetros da Capital), mas nunca teria parado de se relacionar com coroinhas, levados constantemente por ele para sua nova paróquia pelo mesmo motivo com que mantinha um relacionamento com o adolescente que supostamente teria estuprado: fazer sexo. O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Rondonópolis no dia de 12 de novembro passado. Um exame de corpo de delito para o menor já foi marcado.

O mesmo menino contou que, quando tinha 15 anos, soube que padre T.B.S enviou seu número de WhatsApp para um tal padre J. e que ele estaria à espera dele para um encontro em frente ao salão paroquial da Igreja São José Operário, mas não detalhou o que foi conversado nesse tal encontro nem como teria se comportado esse outro padre citado. No boletim está consignado que serão apurados os seguintes crimes: “Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, crianças com o fim de com ela praticar ato libidinoso (consumado), favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de menor de 18 anos e maior de 14 anos (consumado). Corromper ou facilitar a corrupção de menores, utilizando-se de meios eletrônicos (consumado)” e também, mas relativo a padre Thiago, crimes como “aliciar, assediar, instigar ou constranger por qualquer meio de comunicação, estupro (consumado), favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de menor de 18 anos. Estupro de vulnerável consumado, além de corromper ou facilitar a corrupção de menores, utilizando-se de meios eletrônicos (consumado)”, conforme o texto do boletim de ocorrência.

OUTRO LADO

A Igreja Católica Romana se posicionou por meio da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, responsável pelos sacerdotes. O bispo titular dessa diocese disse somente que não poderia comentar o assunto por orientação dos advogados da instituição.

Além disso, padre J.A.S foi afastado de suas funções na Igreja São João Bosco, onde atuava até o escândalo vir à tona. O padre teria sido defenestrado em sua comunidade, pois uma carta teria sido lida durante a missa informando do afastamento dele por três meses, mas sem informar o motivo.

J. apresentava um programa de rádio que era de outro padre, cujo corpo foi encontrado no dia 9 de outubro de 2019. A dioces preferiu não confirmar se o afastamento procede, mas sabe do registro do B.O na Delegacia de Defesa da Mulher de Rondonópolis no dia 12 de novembro e do pedido de exame de delito a ser realizado no corpo do rapaz.


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