21 de setembro de 2021 - 13:21

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08/03/2021 19:22

DESIGUALDADE DE GÊNERO: A LUTA FEMININA EM BUSCA DE RESPEITO E IGUALDADE

 

Durante a pandemia da Covid-19, causada pelo coronavírus, segundo uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em conjunto aos demais órgãos de segurança de 12 Estados do país, os casos de feminicídio registrados aumentaram cerca de 22,2%. Sendo assim, já estamos no ano de 2021 e, ainda, nos deparamos com ofensas a uma política sistemática de desrespeito e falta de consideração ao sexo feminino, as quais dificultam a conquista do espaço pelo qual, desde os tempos remotos, as mulheres vêm lutando para conseguir, um espaço de igualdade, em que tenham o mínimo que elas merecem receber da sociedade: o respeito.

Seguindo o contexto, a igualdade, sororidade, liberdade, o mérito e a consideração são algumas das palavras-chave que definem o empoderamento feminino diante do que as mulheres desejam alcançar na sociedade machista em que ainda vivemos, a fim de que a desigualdade de gênero, em todos os âmbitos, seja minimizado ou cesse. Nesse sentido, a desigualdade de gênero nada mais é do que a desigualdade de poder entre homens e mulheres, ou seja, uma desigualdade em que está incluso o acesso às oportunidades no meio econômico, político, cultural, educacional e entre vários outros ambientes, pois essa contraposição vai além do que se imagina e, infelizmente, mesmo com as batalhas que o sexo feminino trava a cada novo ano, cresce de maneira exponencial, tornando-se cada vez mais nítida e preocupante.

A ausência de mulheres em espaços de decisão influencia, diretamente, no atraso de sua inclusão no ambiente corporativo e no ambiente familiar. Contudo, o empecilho citado é consequência de um processo de socialização primária, no qual os indivíduos, desde o seu nascimento, passam por uma construção de masculinidade e feminilidade, que envolve a forma com que uma pessoa do sexo feminino ou do sexo masculino deve se comportar diante da sociedade. Desse modo, a controvérsia se encontra nas punições que um indivíduo recebe ao incorporar maneiras de comportamento consideradas erroneamente exclusivas do sexo oposto como, por exemplo, quando o homem decide cuidar do lar e da família ou é muito sentimental, ele é visto pela sociedade como “mulherzinha” ou “masculinidade frágil”, o que traz a idéia de que um homem tem que ser bruto ou rígido para ser considerado no sexo masculino, enquanto a mulher deve ser frágil e submissa para ser considerada no sexo feminino. 

Ademais, presenciamos, rotineiramente, a desigualdade de gênero na sociedade de diferentes formas, tais como: atos obscenos, importunação ofensiva ao pudor, assédio sexual e, em uma situação agravante e extrema, o feminicídio. Em 2015, foi sancionada a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/15) que diz respeito ao ato de assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres, que se classificou na Lei dos Crimes Hediondos. Entretanto, a taxa de feminicídio no Brasil ainda é a quinta maior do mundo, com uma média de 4,8 assassinatos para cada 100 mil mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dados do Atlas da Violência (2019) revelam que a morte violenta intencional de mulheres no ambiente doméstico cresceu 17% em cinco anos. Tais dados levantam questões sociais no Brasil, pois demonstram, de forma incontestável, que as leis de proteção às mulheres, que delas necessitam, são ineficientes para evitar tal crime, uma vez que elas não são bem fiscalizadas. 

Está mais do que claro que esta problemática é consequência de uma cultura patriarcal que ainda se mantém firme, a qual só pode ser revertida através de uma política pública de fiscalização mais rígida das Leis de proteção às mulheres, a ser realizada sob a liderança do Ministério da Justiça e Segurança Pública e Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. A reversão dessa cultura somente acontecerá quando esse mal for cortado pela raiz. Deve-se atentar, também, à necessidade de atuação do Ministério da Educação, a fim de que assuntos como este sejam mais abordados na escola, tendo como efeito o respeito para com a mulher incluso na formação de um cidadão, até porque os jovens de hoje são o futuro do país, certo? Desse modo, o país que as mulheres de hoje desejam para o futuro é um país injusto como o que vivemos nos dias atuais? O sexo feminino deseja um espaço que respeite a mulher por ser mulher, seja ela mais frágil ou mais forte, seja ela mais determinada ou contingente, sentimental ou não, seja ela mulher do jeito que ela é e, assim, consiga viver livre, mesmo em situação de confinamento.

 

 Maria Luiza Pimentel Oliveira e Natália Lemos Martins são estudantes do Ensino Médio Integrado ao curso técnico em Meio Ambiente no IFMT – Campus Cuiabá, Bela Vista.


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