22 de abril de 2024 - 02:43

Cultura

MinC divulga resultado da primeira fase do programa Rouanet nas Favelas

Lista inclui apenas propostas que cumpriram regras do edital e estão habilitadas a seguir no processo seletivo

Já está disponível para consulta o resultado provisório de habilitação do Programa Rouanet nas Favelas , que vai apoiar, via mecanismo de incentivo fiscal pela Lei Rouanet, projetos nos territórios de favela das capitais Belém (PA), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Goiânia (GO) e suas respectivas regiões metropolitanas. Nessa primeira lista estão todas as 330 propostas inscritas, com a indicação das que cumpriram ou não as exigências do edital, sem análise de conteúdo por enquanto. Os proponentes inabilitados nesta fase têm até o dia 12 de abril para apresentar recursos.

Na fase de habilitação, a Diretoria de Fomento Indireto (DFIND) da Secretaria de Economia Criativa e Fomento Cultural (Sefic) do Ministério da Cultura identificou se os candidatos cumpriram o prazo de inscrição, se a proposta está de acordo com a área e o segmento cultural citados, se a sede ou residência do proponente está nos territórios de favela previstos no edital e se o valor proposto segue o limite da seleção. Além disso, todas as propostas precisam se enquadrar no artigo 18 da Lei Rouanet, que elenca os segmentos culturais atendidos.

Os recursos apresentados ao resultado provisório serão analisados até dia 3 de maio, quando será publicada a lista final da fase de habilitação. A partir daí começa a fase de celebração do chamamento público, com a análise da Comissão de Seleção. Cada proposta será avaliada por pelo menos dois integrantes do colegiado, que levará em conta para as notas os seguintes critérios:

  • Conceito / conteúdo:análise da clareza do objeto e dos objetivos da proposta, da contribuição para o desenvolvimento econômico local e do impacto da proposta na geração de empregos e retorno social no território onde as ações serão executadas.
  • Currículo do proponente / Viabilidade Técnica:análise da experiência das equipes técnicas envolvidas na proposta, do histórico de atuação na localidade em que o projeto será desenvolvido, viabilidade de cronograma e consistência de orçamento.
  • Promoção da Cidadania e Diversidade Cultural:análise da oportunidade de uma maior diversidade de agentes culturais envolvidos, bem como a diversidade do público beneficiado atingido.
  • Criatividade / Ineditismo:análise da originalidade e do ineditismo da proposta, considerando o(s) território(s) onde será executada, as linguagens artísticas, os conceitos propostos, a atratividade e a participação de novos agentes culturais.
  • Desdobramento / Replicabilidade:impacto social para o público e para a comunidade, ações de democratização, recursos de acessibilidade e gratuidades oferecidos e possibilidade de replicação do projeto em outros territórios.

O resultado provisório da última etapa da seleção será divulgado no dia 24 de maio, com prazo para apresentação de recursos até 31 do mesmo mês. No dia 14 de junho será publicado o resultado final do edital, com a lista dos contemplados que devem receber incentivo de até R$ 200 mil cada para realizar ações culturais entre 1º de setembro de 2024 e 30 de dezembro de 2025.

O Programa

O Edital Rouanet nas Favelas é fruto do Termo de Compromisso de Incentivo celebrado entre o MinC, a Vale, o Instituto Vale Cultural e a Central Única das Favelas (CUFA). “O programa foi criado justamente para garantir a participação de produtores de lugares historicamente menos favorecidos pela Lei Rouanet e já vulnerabilizados socialmente, além de induzir o investimento em projetos com potencial de promover o desenvolvimento local dos territórios de favelas”, explica o secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural (Sefic) do MinC, Henilton Menezes.

A iniciativa também cumpre o objetivo de democratizar e nacionalizar os recursos incentivados pela Lei Rouanet, como prevê o art. 50 do Decreto nº 11.453/2023, que “dispõe sobre os mecanismos de fomento do sistema de financiamento à cultura”.
Os locais que receberão os recursos previstos no edital foram definidos porque registram baixo índice de projetos aprovados para captação de valores e já contam com a atuação da Vale, patrocinadora do programa.

Link: https://www.gov.br/cultura/pt-br/assuntos/noticias/minc-divulga-resultado-da-primeira-fase-do-programa-rouanet-nas-favelas


Nunca mais o país entrará na escuridão do fim da cultura, diz Lula

Presidente participou da 4ª Conferência Nacional de Cultura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (4) que é preciso defender a cultura no Brasil em todas as suas vertentes. Ele participou da abertura da 4ª Conferência Nacional de Cultura, após mais de 10 anos sem a realização do evento no país. 

“Nunca mais esse país entrará na escuridão do fim da cultura porque queremos as luzes acesas”, disse, lembrando que o Ministério da Cultura foi extinto no governo anterior e recriado em seu terceiro mandato. 

Ele também ressaltou a necessidade da criação de comitês de cultura em todas as capitais e disse que o povo deve se apoderar do movimento no país. “Quando o povo se apoderar da cultura, nenhum presidente poderá ofender a cultura, nem dizer que a Lei Rouanet é para sustentar vagabundo”, destacou Lula, lembrando episódios de perseguição do governo anterior a artistas, tentativas de censura e a paralisação de leis de incentivo ao setor. 

Brasília (DF), 04/03/2024, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre oficialmente a 4ª Conferência Nacional de Cultura, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasília (DF) - O presidente Lula abre oficialmente a 4ª Conferência Nacional de Cultura. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, agradeceu a sensibilidade do presidente Lula ao recriar o Ministério da Cultura e possibilitar a retomada da conferência, que, segundo ela, é um direito de todo o setor cultural. "Agora sim, o Ministério da Cultura está de volta, maior e mais fortalecido". 

Com o tema “Democracia e Direito à Cultura", a conferência vai até a próxima sexta-feira (8). São esperados mais de 3 mil participantes de todo o Brasil. O objetivo é debater políticas públicas e definir orientações prioritárias para assegurar transversalidades nas ações do setor. As propostas aprovadas durante a conferência vão embasar as diretrizes do novo Plano Nacional de Cultura (PNC), que norteará a pasta na próxima década.

“A elaboração do Plano Nacional de Cultura traçará o mapa de percurso do que queremos: políticas de cultura que sejam acessíveis, transversais e capitalizadas”, disse a ministra. 

O evento é realizado pelo Ministério da Cultura e Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). 

Palestina 

O poeta pernambucano Antônio Marinho iniciou o evento declamando dois poemas destacando o momento histórico do retorno da conferência. Durante sua fala, ele ergueu uma bandeira da Palestina e gritou: "Viva o povo palestino livre e soberano", e e foi aplaudido de pé por todos os presentes. 

Depois, o próprio presidente Lula falou sobre o assunto. “Com o tempo, a gente vai provar que eu estava certo. O povo palestino tem que ter o direito de viver, de criar o seu país. Você não pode anunciar comida e mandar torpedo, mandar morte para aquelas pessoas”, disse. 

Lula também comentou a respeito do ato promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que reuniu apoiadores em manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, na semana passada. “Aquele ato é de um cidadão que sabe que fez caca, que sabe que fez uma burrice, que sabe que tentou dar um golpe e que sabe que irá para a Justiça e que será julgado. E se ele for julgado, ele pode ser preso e está tentando escapar”, disse.

Participação 

Brasília (DF), 04/03/2024, O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre oficialmente a 4ª Conferência Nacional de Cultura, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasília (DF) - Abertura da 4ª Conferência Nacional de Cultura. Foto -Ricardo Stuckert/PR

A conselheira nacional de Cultura Daiara Tukano destacou a força da cultura indígena. “Somos cultura viva e vivemos e morremos defendendo nossa cultura e expressões culturais que resistem a todo tipo de violência”. Para ela, a Conferência é um local de escuta e pactuação das demandas para a reconstrução de um cenário “onde muitas vezes faltam ouvidos públicos atentos para a voz da sociedade civil”. 

A secretária dos Comitês de Cultura, Roberta Martins, disse que os quase 11 anos sem a realização do evento trouxeram “desesperança, morte, tristeza e a destruição do nosso setor”. “Mas também nos mostra que é a democracia o nosso negócio. O direito à cultura tem que ser compreendido como uma forma de fortalecer o Estado Democrático de Direito”. 

A abertura da conferência também contou com apresentações de danças tradicionais e modernas, com os grupos Cria, Raízes da terra, Manifesto Cultural Popular e Grupo Tchê.

Edição: Carolina Pimentel


No dia 2 de março de 2024, o poeta torixorino Vanney Neves, lança o livro de poemas "Priimaveras Destoantes"

No dia 2 de março de 2024, o poeta torixorino Vanney Neves, lança o livro de poemas "Priimaveras Destoantes", de publicação independente, pela VL Produções Artísticas. O lançamento da obra literária e sessão de autógrafos será aberta ao público e terá início a partir das 19h, na programação do 1º Festival Cultural de Torixoréu, evento organizado pela Prefeitura de Torixoréu, através da Secretaria Mun. De Cultura, que acontecerá no Centro de Múltiplo Uso Prof.ª Lenir Neves, em Torixoréu – MT.  

Na obra, o poeta, por ele mesmo, “com os olhos de condor e a boca cheia de orvalho”, busca com a sua poesia alçar voos ao alto das cordilheiras dos seus sonhos, entoando o seu canto de amor e de luta, cantando os seus ideais e o que inventa como eu lírico pra não parar de cantar.

“A poesia de Vanney Neves rejeita o pragmatismo e o utilitarismo do tempo presente, busca por meio da arte uma intervenção na vida social, na tentativa de transformar esse modelo de sociedade classista. O processo criativo da arte permite ao sujeito estabelecer uma reflexão sobre a existência, sobre as coisas do mundo, sobre as relações humanas, sobre as contradições da realidade, mesmo que na maioria das vezes parta da negação da realidade dada, criando um universo próprio.”, descreve a criação poética, no prefácio do livro, o poeta e mestre em Estudos Literários, pela Universidade Federal de Mato Grosso, Bruno Ribeiro Silva, de Barra do Garças – MT.

A produção poética tem em suas ilustrações nas páginas do livro, a arte de Augusto Figliaggi, de Ribeirão Preto – SP. Na capa, a ilustração é do artista negro Ilustrablack, de Itajaí, em Santa Catarina, idealizada pelo autor do livro, uma homenagem ao seu sobrinho, Paulo Guilherme, que faleceu aos 11 anos, em julho de 2022. O desenho também ilustra à memória do Pinguim, o filho de quatro patas, do poeta.

“O livro “Primaveras Destoantes” é a primeira obra do poeta torixorino Vanney Neves e reúne poemas, em grande parte, da juventude do autor.  O título da obra já prediz ao leitor o que encontrará nas páginas: um antagonismo inconciliável.”, enfatiza, Bruno Ribeiro, em “convite para uma imersão” nas páginas da obra literária.

A publicação de Primaveras Destoantes resulta da aprovação de projeto do proponente/autor, fomentado pelo Edital Estevão de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-grossense, que foi promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A Seleção Pública nº 06/2022/SECEL/MT, lançada em junho de 2022, apreciou projetos no segmento PUBLICAÇÃO DE OBRAS LITERÁRIAS.

Sobre o autor

Poeta, cantor, letrista, educador e fazedor de cultura, Vanney Neves Dias Moraes nasceu à margem do Rio Araguaia, na cidade de Torixoréu – Mato Grosso, em 15 de julho de 1982. O autor do livro Primaveras Destoantes é graduado em Letras – Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT; pós-graduado em Educação Interdisciplinar. Em Torixoréu, trabalhou na equipe efetiva de Agentes Comunitários de Saúde; foi líder comunitário, elegendo-se vereador e presidente da Câmara. Através do Núcleo de Programas e Projetos da Secretaria de Estado de Educação - SEDUC / MT, atuou de 2014 a 2019, na Escola Estadual Febrônio Rodrigues, como professor do Projeto Interdisciplinar de Arte na Escola – PRINART, posteriormente denominado Projeto Arte e Comunicação (Educarte). Atualmente é Diretor da Secretaria de Cultura; presidente do Conselho de Políticas Culturais e Secretário Executivo do Fundo Municipal de Cultura.


Em Busca das Pérolas de Lilia Guerra por Gilda Portella

 

 

Quem melhor para falar sobre Lilia?

Ela mesma e se define: “Sou composta por fragmentos de outras, que vieram antes de mim, preparando o caminho. E espero também contribuir na construção e adequação dessa estrada por onde andamos ainda com cautelas, receios. Estrada que será percorrida por muitas. Procuro semear utilidades para acelerar o passo das próximas caminhantes, afastar obstáculos, alargar a passagem. Sinto que minha voz vai soando um pouco mais firme, menos tímida, à medida em que avanço. Escrever torna o volume mais potente, o tom mais límpido. Coloco minha voz à disposição das que foram silenciadas. Emudecidas. Tento resgatar o que foi dito com os olhos, com lágrimas. Estou aqui, ainda, afinal. A serviço. Na missão!”

Em feliz coincidência a conheci virtualmente no segundo semestre de 2021, no curso da Universidade das Quebradas, que conectou mulheres das múltiplas periferias brasileiras. Não sei quem amei primeiro. Seus textos ou ela mesma. Ainda guardo impacto da leitura de “Entre Roseiras e Jabutis” e “Vó”, contos de Perifobia, da oficina de leitura e escrita.

Certa noite, ela participou da aula saindo do plantão, pura generosidade! Outra feita nos brindou com sua companhia, via celular após o trabalho, indo para casa, revelando seu processo de escrita. Voz baixa e firme ao expressar sentimentos, me impressionou. Guardei Heloisa Buarque falando da genialidade e delicadeza dos “caquinhos vermelhos”. As criações das redes afetivas ficaram a cargo de Alana Francisca, Drica Madeira e Rozzi Brasil as oficineiras. Tempos depois armei-me de ousadia e me propus fazer um texto sobre e com ela.               

A romancista Lilia Guerra é autora de Amor Avenida (2014), da coletânea de contos Perifobia (2018), do romance Rua do Larguinho e outros descaminhos (2021), de Novelas, escritas para o rádio (2022), volume 1, 2,3, de Crônicas para colorir a cidade (2022), e O céu para os bastardos (2023) é seu mais recente romance.

Sua escrita exuberante é inspirada na zona leste de São Paulo, em cidade Tiradentes, espelhando em suas escrevivências sua sensibilidade de enfermeira negra do SUS, onde tudo se potencializa em vibrante pluralidade que aponta para as silenciadas e invisibilizadas.

O coração de Lilia Guerra pulsa vibrante nas margens, abrindo-se para os trabalhadores dos becos, morros, favelas, comunidades periféricas e conjuntos habitacionais, onde habita. Confessa sua ‘guerra’ interna de onde sente as cores, vozes, dores, músicas, danças, alegrias e também injustiças da vida de diaristas, domésticas, babás, patroas, manicures, cabeleireiras, comerciantes, mães solo, casadas, viúvas, estudantes, cozinheiras, enfermeiras, professoras, compondo um mosaico ora antropológico, ora sociológico de cosmovisão lilianica ou seria lilianista?  

Em contos e romance entrecruzam-se experiências das mulheres negras de sua família e de inúmeras mulheres das quebradas. Sensitiva, ela se dissolve no que ouve, observa, acolhe e conhece das-nas ruas, trens, ônibus, periferias, cozinhas e no serviço público. Atendendo aos sonhos da mãe torna-se literatura, destilando ancestralidade, sentimentos de quem caminha ao lado de outras afrodescendentes, em dores perenes que se eternizam em suas escritas.

Com a avó aprendeu amar a música, com a tia ouvia belas histórias da vida, da novela, do cinema, com a mãe conheceu os livros, os romances. A grande sensibilidade destas raízes femininas, vocacionou Lilia para manifestar nas letras, a sensibilidade das potencias adormecidas na ancestralidade.  Ela rememora:  

“Minha avó, Maria Júlia, não era alfabetizada. Ainda assim, consumia cultura nos formatos mais variados, em grande quantidade. E incentivava a todos os que a rodeavam a servirem-se também. Com ela, aprendi a amar a música. Minha tia, Júlia Maria, irmã mais velha de minha mãe, a segunda autoridade na hierarquia de nossa casa administrada exclusivamente por mulheres, me ensinou a apreciar boas histórias. Semialfabetizada, era amante de novelas impressas, de rádio e, mais tarde das televisionadas. E de cinema. Também decalcou em mim seus gostos. Ana Júlia, minha mãe estudou um pouco. O suficiente para se tornar uma leitora frequente e apaixonada. E me apresentou os livros como objetos essenciais. Introduziu a leitura em minha vida como hábito natural da rotina. Ao longo dos anos, desenvolvi algumas atividades na região onde moro, como apoio voluntário a alfabetização. Sempre desejei ardentemente que oficinas e atividades culturais contemplassem a minha vizinhança.

À certa altura, entendi que uma maneira possivelmente eficaz de me inteirar com o coletivo seria através da escrita. E a matéria-prima que utilizo em meus escritos é exatamente a que herdei das mulheres que me educaram. Negras, trabalhadoras domésticas. Guardiãs da ancestralidade. Partilharam comigo tudo o que possuíam. Sobretudo, o senso de coletividade. Me fizeram compreender que coisas boas só fazem sentido se forem compartilhadas. ”

Tal como a ostra que transforma o corpo estranho em uma pérola, ao cobri-lo com camadas de madrepérola, vejo várias camadas nos textos de Lilia que traduzem dor, pela indignação de mazelas sociais e econômicas. Assim somos premiados com a raridade dos contos, a beleza dos romances que de lágrimas, viram gotas, que viram pérolas que são lindo colar, brincos, bracelete a nos enriquecer com inspirações, cenários, personagens e tramas à moda Lilia. 

Com a voz serena e aveludada, reconecta-se ao que ouve dos grandes músicos e compositoras do samba, inspira-se nos fragmentos das múltiplas narrativas negras e recompõe esses sentimentos e emoções em suas criações literárias.  Seus escritos são obras que tornam as mulheres negras visíveis, recolocando-as ao nível das imortais, estão todas ascencionadas como nos itans.

Encerro esse texto parafraseado Lilia “a serviço, e na missão” com ela tudo fica mais fácil, sinto-me segura. Obrigada por estar comigo nesta.


PEN Clube do Brasil. Região Centro-Oeste: Mato Grosso Presente! por Gilda Portella

 

P Poetas
E Escritores
N Novelistas

Fundado em 1921, em Londres, pela escritora inglesa Catherine Amy Dowson Scott.

Instalado em 02 de abril de 1936, no Rio de Janeiro-RJ, por iniciativa do escritor Cláudio de Souza, com objetivo de congregar escritores do país em promover a literatura e a concepção universalista dos bens da cultura, da liberdade e da paz.

Presidente Atual Mundial, Jennifer Clemente, mexico-americana.
Presidente Atual Brasil, Ricardo Cravo Albin.

PEN Clube Região Centro-Oeste

Instalado em Campo Grande-MS, em 06 de novembro de 2023 com 46 Escritores empossados.
E, agora em 14 de março de 2024, no Teatro Zulmira Canavarros em Cuiabá-MT, com 46 escritores a serem empossados, pela Delegada Regional, Delasnieve Daspet e pelo representante Mato Grosso, Airton dos Reis Júnior.

Segue a lista dos 46 escritores, poetas, dramaturgos, novelistas e demais  artistas matogrossenses que serão empossados. 

1)Abel Santos Anjos Filho.
2)Amilton Jorge da Costa Reis.
3)Antônio José Ferreira da Costa.
4)Carlos Luciani de Almeida.
5)Cleutta Inêz Paixão Rodrigues.
6)Daniela Paula Oliveira
7)Danilo Zanirato.
8)Diná Vicente da Silva.
9)Edir Pina de Barros.
10)Edna da Silva Lara.
11)Filemon Félix de Moraes.
12)Flávio José Ferreira.
13)Francisco de Arruda Machado.
14)Gaudêncio Filho Rosa de Amorim.
15)Gilda Portella Rocha.
16)Hélio Inácio Santana.
17)Jacy Ribeiro de Proença.
18)Janete Ferreira da Silva.
19)João Bosco Campos.
20)José Augusto Tenuta.
21)José Elias Antunes Neto.
22)Kilwangy Kya Kapitango-A-Samba.
23)Leni Chiarello Ziliotto.
24)Márcio Benedito da Silva Mendes.
25)Maria Amélia Assis Alves Crivelente.
26)Maria Aparecida da Silva.
27)Maria Elizabete Nascimento de Oliveira.
28)Maria Saleti Ferraz Dias Ferreira.
29)Mariano Leal de Paula.
30)Milton Pereira de Pinho.
31)Moisés Mendes Martins Júnior.
32)Nilda Ramos.
33)Nilton Pereira Pinto.
34)Odair José da Silva.
35)Sandro Miguel da Silva Paula.
36)Sidnalva Costa Serra.
37)Silviane Ramos Lopes da Silva.
38)Suziene Cavalcante.
39)Vera R. M. Baggetti.
40)Vera Lúcia Capilé.
41)Vitor Modesto Braz.
42)Wagton Douglas Fonseca.
43)Wendel Xavier de Souza.
44)Zeila Cecília da Conceição e Silva.
45)Zita Eliney da Conceição.
46)Zuleica Cunha de Arruda.

PEN Clube do Brasil. Região Centro-Oeste: Mato Grosso Presente!

A literatura mato-grossense com suas obras em poesias (em todas as vertentes), crônicas, contos, romances, pesquisas, narrativas, infantil, historiadores, novelas, canções, dramas, teatro, ficção, prosa, técnica, popular. Em narrativo ou épico, lírico e dramático. O caleidoscópio é imenso e intenso. Todas as cores se fazem presente, o que engrandece sobremodo a entidade que chega e a arte literária do estado de MT.


Mocidade Alegre é a campeã do carnaval de São Paulo de 2024

Escola de samba da zona norte leva o bicampeonato

A Mocidade Alegre é a vencedora do carnaval de São Paulo de 2024, repetindo o feito do ano passado. Em segundo e terceiro lugares ficaram a Dragões da Real e a Acadêmicos do Tatuapé. 

Com uma homenagem, na avenida, ao Brasil imaginado por Mário de Andrade, a escola de samba Mocidade Alegre desbancou outras 13, com uma nota de 270 pontos, e se tornou a campeã do carnaval de São Paulo, pela 12ª vez. Com 268,7 pontos, a Tom Maior e a Independente Tricolor foram as duas piores colocadas do Grupo Especial e, com isso, farão parte do Grupo de Acesso 1, conforme as regras estipuladas pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo.

Este ano, a Mocidade Alegre competia com a Camisa Verde e Branco, Barroca Zona Sul, Dragões da Real, Independente Tricolor, Acadêmicos do Tatuapé, Mancha Verde, Rosas de Ouro, Vai-Vai, Tom Maior, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel, Águia de Ouro, Império de Casa Verde e Acadêmicos do Tucuruvi. 

A Mocidade Alegre foi fundada em 1967 e tem sua quadra no bairro do Limão, zona norte da capital paulista. Atualmente, a presidente da escola é Solange Bichara. 

A escola foi a terceira a desfilar na segunda noite, no sábado (10), no Sambódromo do Anhembi.

Disputa acirrada

São Paulo (SP) 13/02/2024 - Cerimonia de Apuração das Escolas do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. Escola de Samba Mocidade Alegre, Bi-Campea, com sua presidenta Solange Cruz Bichara .  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Cerimônia de Apuração das Escolas do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Os critérios analisados para fazer a média das notas que define a posição das escolas na lista de classificação são nove: evolução, comissão de frente, fantasia, enredo, samba-enredo, bateria, alegoria, mestre-sala e porta-bandeira e harmonia. Até o penúltimo quesito, a disputa permaneceu acirrada, como é de costume, por diferença de décimos. Alternaram-se no topo da lista escolas como a Mocidade Alegre, Dragões da Real e a Acadêmicos do Tatuapé.

Alguns elementos passaram, muito recentemente, a ter peso maior na avaliação, com uma mudança nas diretrizes dos jurados. Como exemplos, podem ser citadas a letra da música, que agora deve ser menos abstrata e narrar e refletir melhor o tema do enredo, e a qualidade da caixa de som das escolas. 

O anúncio das pontuações dadas pelos jurados é realizado sem a presença do público. O evento fica aberto somente para representantes das escolas, a imprensa e é transmitido ao vivo pela emissora TV Globo. 

Identidade brasileira

São Paulo (SP) 13/02/2024 - Cerimonia de Apuração das Escolas do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. Escola de Samba Mocidade Alegre, Bi-Campea, com sua presidenta Solange Cruz Bichara .  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Cerimônia de Apuração das Escolas do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O enredo concebido pela escola para este ano é de autoria do carnavalesco Jorge Silveira e do enredista Leonardo Antan e sugere a revisão do conceito de identidade brasileira.

"O ano de 2024 marca o centenário do início da histórica viagem que o poeta fez pelo Brasil profundo, em busca de compor a colcha de retalhos que forma a nossa identidade cultural nacional. Nosso desfile se propõe a abrir o diário de viagem do 'Turista Aprendiz' e percorrer com ele os passos de sua expedição. Junto com Mário, descortinar a riqueza de nossa arte, nosso território e nossa gente", explicou Silveira. 

A Mocidade Alegre é conhecida também como "Morada do Samba”. O termo foi cunhado por um integrante da escola chamado Argeu e resumiu o que o fluminense Juarez da Cruz, o idealizador da escola, planejava para ela, que era manter as portas e a receptividade para qualquer pessoa, independentemente de qualquer origem. 

Edição: Carolina Pimentel


Carnaval é melhor do que celular, dizem crianças em bloquinho no DF

Festa em Brasília, Carnapati, celebra alegria com ciranda e maracatu

Na cabeça, as fitas vermelhas do capacete do caboclo de lança emolduram os olhos e o sorriso encantados do menino Rudah, de 8 anos. O garoto brasiliense, desde tão cedo, aprecia o maracatu de baque solto, da zona da mata pernambucana. “Eu sou muito fã”. O menino diz que aprendeu na escola e com os pais, artistas, sobre cultura brasileira. Dançou, sacudiu as fitas e o figurino todo colorido, e procurava pelos amigos enquanto se divertia no Bloco Carnapati, nesta segunda-feira (12), na região central da capital. “Muito melhor o carnaval do que ficar no celular”.

O pai, o músico Randal Andrade, de 51 anos, tocava o tambor. Foi ele que desenhou e confeccionou o capacete. “Ele adora brincar. Não quer nem saber de TV ou joguinhos de celular. Estimulamos que ele viva a arte”. A mãe, Verônica Alves, de 32, tocava o ganzá e se orgulhava do colorido da roupa que ela produziu para o menino com o desenho do carcará, pássaro que a família acha mais bonito. “Carnaval é tempo da gente se divertir em família. Ir para a rua. A gente espera muito por esse momento”. 

 

A família e outras dezenas de pessoas, participavam também da ciranda, ao som de música pernambucana no Eixo Cultural Ibero-americano (antiga Funarte). Adultos e crianças se divertiam com a brincadeira do caminho do peixe Nonô, o boneco criado pela Companhia Teatral Mapati, que organiza a festa há 27 anos. Idealizadora do teatro e dessa festa carnavalesca, a dramaturga Tereza Padilha enfatiza que é fundamental garantir espaço para que crianças curtam a época. 

“Nós somos pioneiros (na década de 1990, junto com o Bloco A Baratinha) nos carnavais infantis. É muito saudável que as pessoas responsáveis tirem as crianças de frente das telas para poder viver o carnaval, essa festa democrática e de tanta alegria”, afirma a artista. 

Cultura

Com fantasia de pomerano, o menino Heitor, de 9 anos, acompanhado do pai, Antonio Santos, e da mãe, Andrelesse Arruda, ambos de 41, estava empolgado com a ciranda, o que fez com que esquecesse os joguinhos de celular. “Bem mais legal”. Os pais concordam que o carnaval, a música e o sol tornaram a segunda de carnaval mais atraente para o menino do que as telas. “Temos a preocupação de apresentar para ele a cultura do nosso país”, afirmou o pai. “Ele está vendo que é muito mais saudável”, disse a mãe. 

Entre ritmos nordestinos, uma família matava saudades da terra natal, com a camiseta com as cores e símbolos da bandeira pernambucana. Radicado em Brasília, o casal Tiago Meireles, de 39, e Isabela, de 40, levou o pequeno Artur, de 2 anos, para a festa, e assim ensinarem as músicas desde pequeno. “É uma saudade boa da nossa terra. Os bloquinhos nos ajudam”. 

Com o sol que persistiu em Brasília, a criançada brincava de mãos dadas com os adultos ao som da música de Lia de Itamaracá. Aprenderam rápido a cantar… “Minha ciranda não é minha só/Ela é de todos nós/ ela é de todos nós”.

Brasília-DF 12/02/2024 Bloquinho infantil de carnaval Carnapati. Família Pernanbucana do Thiago Meireles) Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil.
Brasília-DF 12/02/2024 Bloquinho infantil de carnaval Carnapati. Família Pernanbucana  - Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil.

Edição: Sabrina Craide


Circuito Folia Cuiabá oferece programação gratuita e diversificada para variados públicos

 

Festa é realizada pela Liga Independente dos Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba de Cuiabá, com apoio do Governo de MT

De sexta (09.02) até terça-feira (13.02), diferentes públicos poderão curtir a festa carnavalesca realizada pela Liga Independente dos Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba de Cuiabá. Com apoio do Governo de Mato Grosso via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o Circuito Folia Cuiabá dispõe de uma ampla e diversa programação gratuita. Confira:

Bloquinho dos Estudantes: em seu primeiro ano de atuação, o bloco busca fazer a interação da juventude e debater o acesso à cidade. Com variados ritmos, a agenda tem início nesta sexta-feira (09.02) e segue até o domingo (11.02), na UFMT e na avenida Mato Grosso.

Carnaval da Casa das Pretas e da Casa do Centro: localizadas na Praça da Mandioca, no Centro Histórico da capital, as instituições celebram manifestações tradicionais da cultura popular, de sexta-feira (09.02) a terça-feira (13.02).  No sábado (10.02) e na segunda-feira (12.02), os Bloquinhos Independentes finalizam os percursos no mesmo espaço.

Carnaval da Central: no evento marcado pela diversidade terão mais de 30 atrações que contemplam ritmos do Carnaval, rap e música eletrônica. Organizado conjuntamente pela Sumac Records, Oddly e Mandinga Bar, o Carnaval da Central acontece na Orla do Porto II, em Cuiabá, de sábado (10.02) até terça-feira(13.02).

Carnaball: organizado pelo movimento Ballroom, o evento conta com atividades que exaltam a existência da população LGBTQIAPN+, com premiações de alegorias e performances. A segunda edição do Carnaball ocorre no domingo (11.02) dentro do Carnaval da Central, na Orla do Porto II.

Baile da Calorosa: a rua 1 do Boa Esperança vai fechar em frente ao Rebu Bar no domingo (11.02), a partir das 17h, com muito axé, swingueira, brega, hits de Carnaval e produções autorais. O Baile começa com a banda Calorosa, que traz também expressões da música mato-grossense, como o lambadão.

Bloco Bode Bonito: o bloco carnavelesco faz a folia na Praça Popular, em Cuiabá, na segunda (12.02), a partir das 15h, e conta com atrações artísticas que unem sambas de enredo e de exaltação. A entrada é solidária para quem quiser contribuir com duas caixas de leite ou dois quilos de alimentos, que serão doados para a Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (AAPOC).
 
Desfiles dos blocos e escolas de samba: reunindo cerca de três mil desfilantes, a festividade será realizada na terça-feira (13.02), a partir das 19h, na Orla do Porto II. Arquibancadas serão montadas no local para que o público assista o desfile oficial, que contará com a participação das escolas de samba Payaguás e Império de Angola, e dos blocos Tradição do Araés, Unidos do Araés, Império de Casa Nova, Boca Suja, Explosão Cuiabá, Luxo Folia, Duque Folia, Povo Feio e Melados. 

De acordo com o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura, o carnaval é uma das manifestações culturais mais celebradas no Brasil que traz muitos benefícios socioeconômicos.

“A estimativa é de um retorno para a sociedade de três ou quatro vezes o valor investido no Carnaval.  Além do aspecto de cultura e lazer para a população, estima-se um potencial impacto socioeconômico, que impulsiona uma cadeia produtiva, com contratação de mão de obra local, maior movimentação do comércio e valorização de nossos artistas”, conclui Jan.


Projeto Viva a Cena vai selecionar artistas e bandas de MT para gravação de coletânea

Em sua terceira edição, iniciativa é apoiada pela Secel; inscrições estão abertas até 29 de fevereiro

O projeto “Viva a Cena!” vai selecionar 12 artistas e/ou bandas de Mato Grosso para participar da gravação do terceiro volume da coletânea. Em sua terceira edição, a iniciativa apoiada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) visa valorizar a música autoral e, principalmente, o Rock n’Roll e estilos musicais que conversem com o gênero. 
Além de integrar a coletânea e ter suas canções distribuídas em formatos físico e digital, as bandas e artistas selecionadas participam de quatro apresentações em uma grande casa de shows de Cuiabá, que também serão transmitidas online. Inscrições abertas até 29 de fevereiro por AQUI.
Para participar, é necessário preencher os dados solicitados e disponibilizar link para vídeo ou áudio de uma música autoral em perfil público. Poderão se inscrever bandas e artistas de Rock de todas as cidades de Mato Grosso, exceto de Cuiabá.
Conforme o edital, os interessados já devem ter um prévio trabalho autoral no segmento de Rock e gêneros que se comunicam. Além disso, pelo menos uma música deve ter sido comprovadamente apresentada de forma pública até o dia 31 de janeiro de 2024, seja em shows, plataformas digitais, e outros.
Apenas pessoa física e maior de 18 anos pode se inscrever no projeto, representando a banda ou artista. Outro critério para os participantes é que não tenham participado das edições anteriores do projeto “Viva a Cena!”.
 
“O Viva a Cena! é um projeto muito importante para a cena da música mato-grossense e estamos muito felizes em vê-lo crescer e poder alcançar todo Mato Grosso. Esta terceira edição significa muito para nós, enquanto realizadores, mas principalmente para os artistas e bandas que apostam na música autoral”, destaca o produtor cultural, Daniel Scaravelli. 
A terceira edição do “Projeto Viva a Cena!” é uma realização da Associação Mato-grossense de Cultura (AMC), com patrocínio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), via emenda parlamentar.
O edital completo pode ser acessado no Instagram do projeto ou diretamente pelo link AQUI 
 


SP abre inscrições para novos projetos culturais em programa de fomento

ProAC ICMS conta com novas atualizações na sua execução; em 2023 o programa aprovou mais de 1.500 projetos

As inscrições de novos projetos no ProAC ICMS, Programa de Ação Cultural de fomento paulista que funciona por meio de patrocínios incentivados e renúncia fiscal, será reaberta no dia 9 de fevereiro. Este ano, o programa está de cara nova, com atualizações importantes em sua regulamentação e com uma nova identidade visual. Em 2023, foram aprovados mais de 1.500 projetos. A resolução sobre a reabertura das inscrições foi publicada no Diário Oficial na última quarta-feira (31).

Neste ano, o ProAC ICMS conta com mudanças importantes na sua execução, que visam facilitar a compreensão pela sociedade civil interessada, superar os pontos defasados, apresentar inovações e desburocratizar o funcionamento do programa, que é operacionalizado pela UFEC – Unidade de Fomento à Cultura. Entre os destaques estão a prestação de contas de acordo com o porte do projeto, a flexibilidade na gerência financeira da proposta, solução para rendimentos financeiros, medidas compensatórias, entre outros.

Outro destaque é que, a fim de compreender melhor o perfil cultural dos projetos inscritos nos programas culturais, os proponentes deverão realizar sua atualização cadastral no sistema, a partir do dia 9, com informações pertinentes para o desenvolvimento da Cultura em todo o território do Estado.

As mudanças apresentadas na nova resolução que regulamenta o ProAC ICMS não alteram as questões relacionadas à lei e ao decreto, mas modernizam as normativas que regiam o programa.

Sobre o ProAC ICMS

O ProAC ICMS é a modalidade do programa de fomento paulista que funciona por meio de patrocínios incentivados e renúncia fiscal. Para ter acesso aos recursos disponíveis, os artistas, grupos ou produtores devem submeter seus projetos à análise de uma comissão especializada, que avalia requisitos como relevância artística, cultural e compatibilidade da proposta orçamentária.

Com o projeto aprovado, o proponente pode solicitar patrocínio a empresas sediadas em São Paulo que podem apoiar os projetos culturais com parte do valor do ICMS devido. Qualquer empresa pode ser patrocinadora via ProAC ICMS, bastando ser contribuinte deste imposto e estar em dia com suas obrigações fiscais.

Todas as informações estão disponíveis em www.proac.sp.gov.br


Mais de 80 blocos desfilam no Rio no fim de semana antes do carnaval

Folia atrai milhares de pessoas

Mais de 80 blocos de rua oficiais (autorizados pela prefeitura) desfilam ou se apresentam na cidade do Rio de Janeiro neste fim de semana, o último antes do carnaval. Segundo a programação oficial divulgada pela prefeitura, são 49 blocos neste sábado (3).

Já no início da manhã, milhares de foliões se dividiram entre o Céu na Terra, que desfila, desde 2001, com tradicionais marchinhas pelas ruas de Santa Teresa, na zona sul, e o Chora Me Liga, bloco sertanejo criado em 2010 que saiu no Centro da cidade.

Céu na Terra foi o primeiro bloco do ano para o estudante João Miranda, de 23 anos. “É um dos blocos tradicionais. É lotado, mas é legal ver a festa, ver gente feliz, se divertindo, com música boa”, conta.

Vestida com uma fantasia de abelhinha, a cadela da raça rottweiler Nutella era uma atração à parte nas ruas de Santa Teresa. “É o segundo ano dela. Esse ano ela caprichou na fantasia, porque assim ela ganha carinho [das pessoas]. Quando ela escutou o som do bloco ela já ficou agitada em casa para vir”, contou a engenheira Daniela Manger, moradora do bairro.

Para os cariocas e turistas que não acordaram tão cedo quando João e Nutella, no entanto, estão previstos quase 40 blocos para a tarde deste sábado, entre eles o Simpatia É Quase Amor, que desfila, a partir das 14h, pelas ruas de Ipanema, na zona sul da cidade.

Também há desfiles e apresentações no Centro e em outros bairros da zona sul (como Copacabana e Botafogo) e das zonas norte (como Tijuca, Ilha do Governador, Ramos, Abolição e Irajá) e oeste (como Jardim Sulacap, Sepetiba e Barra da Tijuca).

No bairro do Maracanã, na zona norte, por exemplo, tem o Põe na Quentinha?, fundado pelo fotógrafo Berg Silva, que faz a folia, parado, na Praça Niterói, a partir das 14h. Este ano, o bloco se dedicará a arrecadar livros e alimentos não perecíveis, para beneficiar a população do Morro dos Macacos, em Vila Isabel.

 

Domingo

No domingo (4), estão previstos mais 34 blocos oficiais, em vários bairros cariocas. logo no início da manhã, já tem blocos no Centro da cidade, como o Bloco da Favorita, o Cordão do Boitatá e o Fogo e Paixão, todos começando entre as 7h e as 8h.

“Às vésperas de mais um desfile do bloco brega Fogo e Paixão, o frio na barriga contrasta com o calor que sempre domina o Largo de São Francisco de Paula. Certamente seremos muito felizes neste domingo e pode apostar que não vai faltar brilho!”, conta Pedro Martins, um dos organizadores do Fogo e Paixão, que estreou no carnaval em 2011.

“O bloco é brega”, resumiu à Agência Brasil outro organizador do Fogo e Paixão, João Marcelo Oliveira.  “Nós somos um bloco de música brega; nosso visual é brega. O repertório é brega. Quanto mais brega, melhor. A gente adora brega".

As músicas tocadas são as dos grandes ícones bregas, como Sidney Magal, Reginaldo Rossi, Rosana, Fagner. “Nosso padrinho é o Wando”. Mas o bloco toca os bregas mais atuais também. “As sofrências, os funks mais bregas entram também no repertório. A gente tem sorte de ter escolhido um tema que continua sempre produzindo material.”

João Marcelo afirmou que o bloco faz questão de descaracterizar a palavra brega como ela era usada de forma pejorativa. “O brega, para a gente, não é ruim. Para nós, o brega é muito. É aquela sofrência demais, o colorido demais. É excesso de alegria, de fogo, de paixão. Para a gente, isso é o brega”. A bateria do Fogo & Paixão é denominada Sem Limite e composta por 140 integrantes, além de dois cantores, dois sopros e um guitarrista. A equipe de produção e apoio tem entre 25 e 30 pessoas.

Ainda na manhã de domingo, tem Suvaco de Cristo (no Jardim Botânico), o infantil Gigantes da Lira (em Laranjeiras) e Empolga às 9h (em Ipanema), todos na zona sul. Ao longo do dia haverá desfiles e apresentações também em outros bairros como Méier, Grajaú, São Cristóvão e Engenho de Dentro (na zona norte), além de Vila Valqueire e Bangu (na zona oeste).

Edição: Valéria Aguiar

 
 

Suvaco da Asa traz carnaval de Pernambuco a Brasília

Pré-carnaval brasiliense começou com baile infantil

Brasília e Pernambuco se misturam em diversos blocos de carnaval e, também, no pré-carnaval, com a versão infantil de um dos blocos mais tradicionais da capital federal: o Suvaco da Asa. Os pequenos foliões deram a largada para a festa mais alegre do ano na manhã deste sábado (3), no estacionamento do Complexo da Funarte, próximo à Torre de TV.

Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças.  Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF) - Crianças brincam o carnaval no bloco Suvaquinho. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

“Kaya Roschel está nadando e dançando. Não para de se mexer. Percebo claramente que ela gosta de um batuque”, disse a administradora Bianca Roschel, 30 anos, grávida de seis meses, ao apontar para a própria barriga em meio aos sons percussivos que transitavam entre maracatu e frevo do grupo Vivendo e Batucando. “Ela já está treinando para o carnaval”, acrescentou.

A relação da administradora com o carnaval vem da infância, nas folias curtidas na companhia de seus pais. “Estou passando aos meus filhos o que recebi de meus pais: o gosto pelo carnaval. Eles sempre me levaram para os blocos. Quero que meus filhos sintam da mesma felicidade”, contou, em meio a declarações de amor ao samba de raiz e às tantas escolas de samba pelas quais já desfilou.

Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças. Na foto Bianca Roschel, grávida da filha Kaya. Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF) - Bianca Roschel, grávida da filha Kaya, adora curtir a festa. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

“Já curti também muitos carnavais do Nordeste. Fui a Salvador, na Bahia; a Olinda, no Recife. Já conheci o carnaval de quase todos os estados que têm tradição no carnaval”, complementou enquanto apontava para sua outra filha, Ayla, de 3 anos. “Ela faz questão de ter uma fantasia para cada dia de carnaval. Para este ano, Ayla preparou fantasias de unicórnio, pompom, arco-íris e de ETzinha”.

Os planos para o carnaval de 2024 não param. “Ainda mais agora que o carnaval de Brasília está caindo no gosto das pessoas”.

O servidor público Lucas Alves, 34 anos, companheiro de Bianca, disse que os planos do casal é deixar as crianças com uma babá e cair na folia. “Faremos maratonas nesse carnaval. Pularemos todos os blocos que der”.

Pijamas

Não há regras para fantasias de carnaval. O casal de servidores públicos Matheus Mendonça, 38 anos, e Ana Luíza Machado, 37 anos, leva a sério. Acompanhados do filho Bernardo, de 1 ano, os três pareciam ter pulado da cama direto para pular o carnaval. Todos estavam de pijamas.

Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças. Na foto Matheus Mendonça e a esposa Ana Luiza Machado com seu filho Bernardo. Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF) - Família participa do bloco Suvaco da Asa 2024 fantasiada de pijamas. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

“Roupa mais confortável não existe. Unimos o útil ao agradável. Além disso, é fácil para fantasiar a criança. Acordamos já prontos para o carnaval”, brincou Ana Luíza. “Carnaval é isso: rir das fantasias dos outros e fazer os outros rirem das nossas fantasias”, resumiu a foliã.

Foi na festa de 2019, em meio ao fortalecimento do carnaval de rua de Belo Horizonte, que Matheus e Ana Luíza “se fortaleceram” enquanto casal. “Foi nosso primeiro carnaval enquanto casal”, explicou Matheus, que elogiou a melhora no carnaval de rua brasiliense nos últimos anos.

Suvaco da Asa

Essa melhora se deve a figuras como Pablo Feitosa, o diretor-presidente do bloco Suvaco da Asa. “Somos um bloco pernambucano criado com o objetivo de esquentar o pré-carnaval desta cidade que já conta com vários blocos inspirados na cultura de Pernambuco. A princípio, foi uma forma de matarmos a saudade de nosso carnaval. Trouxemos a folia de lá para cá, porque se Maomé não pôde ir à montanha, a montanha veio a Maomé”, explicou o organizador da festa.

A expectativa é de que, em 2024, o Suvaco da Asa reúna entre 30 e 40 mil pessoas. Para este ano, estão previstas homenagens ao cantor pernambucano Reginaldo Rossi, falecido em 2013. “Ele é um rei para Pernambuco: o Rei do Brega”, justificou Feitosa.

Um dos pontos altos da festa será o show do cantor pernambucano Otto, amigo e fã de Reginaldo Rossi.

Carnaval democrático

Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças.  Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças. Foto  Antonio Cruz/Agência Brasil

Feitosa enfatiza que, para ser pernambucano, é fundamental que o carnaval seja democrático. “Portanto, gratuito”, acrescentou. Segundo o diretor do bloco, a retomada de um ambiente político mais democrático tem refletido também nos festejos deste ano.

“As pessoas estão mais à vontade para manifestar alegria e felicidade. Este é o clima do nosso bloco. Um bloco sem assédio, no qual mulheres se sentem protegidas, em um ambiente que é essencialmente contra o machismo, contra a homofobia e contra o racismo”.

Brasília (DF), 03/02/2024, Carnavel de Brasília com o bloco Suvaco da Asa 2024, Suvaquinho para crianças. Na foto Pablo Feitosa, diretor do Bloco.  Foto Antonio Cruz/Agência Brasil
Brasília (DF) - Ralf Louzada aproveita a festa para aumentar as vendas de cerveja artesanal. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Carnaval é ambiente de alegria, mas também de negócios – que ajudam a gerar empregos e a fortalecer a economia local. “É muito fácil vender cerveja no carnaval”, comemorava o gerente de vendas da cervejaria artesanal Quatro Poderes, Ralf Louzada, 37 anos.

Para valorizar o produto, ele dizia que a festa era pernambucana, mas o sabor da “alegria líquida” era bem brasiliense. “Nós usamos, em nossas receitas, muitas frutas locais, como cagaita, caju e maracujá do Cerrado”.

Edição: Carolina Pimentel


Liesa abre venda de ingressos das arquibancadas populares

A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) abre nesta quarta-feira (31), às 9h, a venda dos ingressos das arquibancadas populares do Sambódromo. As entradas são para os setores 12 e 13, aqueles mais próximos da Apoteose.

 

Pagamento só em dinheiro

Aqueles que forem contemplados deverão, então, comparecer ao estande da Central de Vendas, montado atrás do Setor 11 da Passarela do Samba, na Rua Salvador de Sá, no sábado (3), entre 9h e 15h, para realizar o pagamento em dinheiro, cujos preços custarão a partir de R$ 5 (meia-entrada).

Cada pessoa poderá comprar um ingresso de meia-entrada e/ou quatro ingressos para cada dia. Será necessário levar a senha recebida no momento da reserva e um documento de identidade.

Já os foliões que buscam outros tipos de ingressos, como camarotes, podem comprar na plataforma da Ticketmaster — as arquibancadas normais estão esgotadas para o Grupo Especial. Há poucas vagas para o Sábado das Campeãs.


Produtores assinam primeiros contratos do Reviver Centro Cultural com a Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio reuniu, nesta terça-feira (30/01), os produtores de 17 dos 84 projetos credenciados no Reviver Centro Cultural para assinatura do Termo de Adesão ao programa. O evento, na Rua Sete de Setembro 43, teve a presença dos produtores culturais, além do cantor e compositor Marcelo D2, que promoveu uma roda de samba no local. Com a assinatura do contrato, os primeiros projetos poderão ganhar as ruas do Centro, por meio de apoio do município. A Prefeitura vai dar recursos para a reforma dos imóveis e para ajudar nas despesas mensais.

– Nós sabíamos, desde quando começamos a história do Porto Maravilha e a derrubada da Perimetral, que a saída para o problema do Rio era voltar para o Centro. Aqui é uma área que já tem infraestrutura, hospital, escola. E, quanto mais você está onde tem infraestrutura, mais barata fica a cidade. E o que aconteceu na pandemia foi que o Centro se perdeu, muita gente foi embora. E não tem nada igual às manifestações culturais, artísticas, literatura, galerias de arte para conseguirmos fazer um lugar renascer. O que a Prefeitura está fazendo com esses espaços todos é dar uma grana inicial de incentivo. Eu não tenho dúvida nenhuma que, em muito pouco tempo, a partir desse projeto, o Centro será resgatado, revitalizado e ressuscitado por aquilo que o Rio tem de mais incrível que são suas manifestações culturais – afirmou o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

O programa Reviver Centro Cultural recebeu a inscrição de 39 imóveis e de 132 projetos culturais, como livrarias, galerias de arte, escolas de dança e escolas de fotografia. Desse total, 84 foram credenciados e poderão ocupar as lojas também habilitadas no programa e, com imóvel, estarão aptos a receber os valores da Prefeitura do Rio destinados ao projeto. Como contrapartida, eles devem abrir, em horários estendidos, à noite e aos fins de semana, além de contar com uma programação que preveja ações nas calçadas, para levar mais gente ao Centro e aumentar o movimento da região.

– É um projeto de volta à vida das ruas do Centro. Ainda temos um comércio que foi resiliente, principalmente na pandemia, mas dentro do nosso projeto queremos trazer novas moradias, novos empreendimentos para cá. O Reviver Centro Cultural é central para que possamos trazer essa nova vida, a ocupação das lojas que estavam vazias. É um primeiro marco do renascimento do Centro – disse o secretário de Desenvolvimento Urbano e Econômico, Chicão Bulhões.

De iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Econômico (SMDUE), em parceria com a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), o projeto deve ocupar imóveis abandonados na área formada pelas avenidas Presidente Vargas, Rio Branco e Primeiro de Março, e pela Rua da Assembleia, além de um trecho da Orla Conde. O município vai dar valores ao projetos que podem chegar a até R$ 192 mil (R$ 1 mil por metro quadrado) para a reforma dos espaços e cerca de R$ 14,4 mil (R$ 75 por metro quadrado) como auxílio para despesas mensais, como aluguel, água e luz, dependendo da metragem do imóvel.

A partir de agora, todos os habilitados podem negociar diretamente com os proprietários dos imóveis credenciados para firmar o contrato de locação. Os gestores dos projetos que encontrarem um imóvel adequado e formalizarem o contrato de locação devem apresentar a documentação à Prefeitura do Rio. Depois de assinarem um Termo de Adesão, em que assumirão a responsabilidade de execução do projeto cultural proposto pelo poder público, de acordo com o edital, receberão, em 30 dias, o benefício de incentivo.

– O Centro do Rio está sedento por projetos. Temos uma oportunidade única de fazer o Rio de Janeiro que acreditamos, de fotografia, de música, de inclusão, samba, Carnaval. Nos três meses que estou com meu projeto no Centro, tive o suporte da Prefeitura. Tenho certeza que o Reviver Centro Cultural terá grande sucesso. O Rio vai ficar mais seguro e alegre – disse o cantor Marcelo D2, dono do espaço onde o evento foi realizado.

Sócios-diretores da Galeria Refresco, Deborah Zapata e Renato Canivello comemoram a oportunidade dada pelo incentivo da Prefeitura.

– Ficamos muito animados quando tomamos conhecimento do projeto da Prefeitura, uma oportunidade de profissionalizar os espaços de cultura no Rio. Receber um aporte da Prefeitura para conseguirmos desenvolver o nosso projeto, dar mais visibilidade pois trabalhamos com toda uma comunidade de artistas cariocas, é uma oportunidade incrível. Estamos muito felizes de participar – declarou Deborah.

Idealizadora do Centro Carioca de Fotografia, Renata Xavier elogiou a iniciativa da Prefeitura de buscar a revitalização do Centro da cidade.

– O Centro do Rio merece pois ele faz parte da história do Brasil, é um centro de memória da cidade e do país. Nosso trabalho é sobre fotografia, é criar um lugar em que os olhares do Rio se encontrem. Há poucos paços de onde vai ficar o Centro Carioca de Fotografia foi feita a primeira foto da América do Sul. São essas histórias que queremos trazer, mostrar quem são os cronistas visuais da atualidade. É um lugar para quem ama fotografia.

Conheça os primeiros projetos credenciados que assinaram o Termo de Adesão com a Prefeitura do Rio:

Arrecife Rio – O Arrecife Rio, a ser instalado na Rua do Rosário, número 61, loja A, é um espaço que congregará um ateliê para artistas, exposições, intervenções artísticas, cursos de longa e curta duração, workshops e eventos sociais e culturais.

Centro Carioca de Fotografia – O espaço será uma galeria de arte voltada para a fotografia, tendo a cidade do Rio como temática principal. O espaço funcionará na Travessa do Comércio, número 11, e abrigará exposições rotativas, estúdio e escola de fotografia, além de promover passeios, festivais externos, entre outras atividades.

Museu da Caricatura Brasileira – O Museu da Caricatura Brasileira será instalado na Rua Primeiro de Março, 22, trazendo seu acervo na coleção particular de Luciano Magno, caricaturista, historiador e autor da obra “História da Caricatura Brasileira”, com o objetivo de resgatar, preservar e divulgar a memória da caricatura brasileira. A proposta é mostrar o acervo de forma itinerante, em exposições, e por meios como a internet.

 QueeRIOca – A “QueeRIOca” promete ser um espaço na Travessa do Comércio, 16, para residência e produção de arte queer (termo da língua inglesa usado para definir minorias sexuais e de gênero), no Rio de Janeiro, realizando a curadoria de artistas que farão residência na casa com peças teatrais, shows musicais, exposições, batalha de Slam (competições de poesia falada), leituras, performances, palestras, oficinas, debates e seminários.

Diário do Rio de Cultura – Na Travessa do Comércio, 2 a 6, o projeto Diário do Rio de Cultura realizará oficinas de Cultura Digital e exposição permanente da história da região central, com visitas guiadas e atendimento ao público geral, assim como também a alunos (as) da rede pública de ensino. Haverá ainda atividades como vernissages, e atividades artístico-culturais.

Casa Proeza – A Casa Proeza pretende instalar na Rua do Ouvidor, 26, um centro de estímulo a discussões culturais em seu espaço multifuncional: o casarão abrigará uma galeria de arte voltada à fotografia, além de redação da revista virtual do projeto e estúdio da Proeza Design.

Instituto Vida em Equilíbrio – A ocupação promoverá espetáculos teatrais, com atores ocupando a calçada em frente ao imóvel, e exposição de artes visuais, música e dança, na Rua da Quitanda, 87. Além disso, haverá passeios culturais, com visitas guiadas a pontos turísticos do Centro, voltados para estudantes de escolas públicas (estaduais e municipais) e particulares e para turistas e alunos graduandos em cursos como turismo e hotelaria.

Casa Tucum – Localizada na Rua do Rosário, 30, a Casa Tucum traz a cultura indígena através de uma loja conceito, galeria de arte, empório gastronômico e empreendedorismo indígena, gerando o encontro entre as diversas culturas indígenas e a sociedade, a fim de expandir o imaginário comum sobre a cultura.

Galeria Refresco – A Galeria Refresco traz à Rua do Rosário, 26/28, residências artísticas, exposições, atividades pedagógicas, principalmente voltadas para artistas que já circulam pelo Centro da cidade. A ideia é auxiliar os artistas no desenvolvimento e aprimoramento de suas carreiras, bem como explorar possibilidades comerciais e expográficas, além de buscar parcerias com projetos similares.

Teatro do Mar – O projeto pretende construir a sede do Espaço Teatro do Mar, reunindo aulas de teatro, cenografia, figurino, música, produção e gravação de produções audiovisuais, podcasts, eventos artísticos e uma sala de apresentações teatrais na Rua Sete de Setembro, 63.

MetaGallery – Na Rua da Assembleia, 40, a MetaGallery instalará espaços imersivos com exposições de arte em NFT, divulgação de artes digitais e um display LCD de alta definição em sua fachada, expondo formas de arte digital. Além disso, pretende oferecer oficinas, palestras, debates e eventos sobre blockchains, NFT, arte digital e tecnologias emergentes.

Casa Carnaval – A Casa Carnaval trará à Rua do Mercado, 37, uma experiência da maior festa popular do Brasil, para além de fevereiro. O espaço terá exposições, cursos, apresentações e produções de conteúdo sobre a indústria carnavalesca. Voltado ao público carioca e turistas, o projeto promete valorizar a arte do carnaval, com manifestações sobre o presente, o passado e o futuro desse movimento artístico vivo.

Cará – O projeto, localizado na Rua Sete de Setembro, 43 loja A, dialoga com o Centro de Pesquisa Avançada do Novo Samba Tradicional Onde o Coro Come – IBORU, a proposta é uma residência artística capitaneada por artistas plásticos brasileiros. A ideia é uma troca de experiências com projetos já consagrados, possibilitando diálogos e vivências.

Escola da Diversão – Casa Criativa Rio A proposta de um espaço de criatividade será localizado na Rua dos Mercadores, 8-A. Tem como características oferecer capacitação para habilidades artísticas e acompanhamento de projetos culturais.

Ginga Tropical – A Casa Ginga Tropical oferecerá atividades atreladas à preservação do folclore e da cultura popular brasileira por meio de apresentações de dança, cursos e eventos de rua. Terá atividades fixas de rodas de dança e capoeira na Rua da Alfândega, 19.

Museu do Café – A proposta que ficará na Rua do Ouvidor, 28, é para os amantes de café. O espaço contará com a utilização de ferramentas multimídia para contar a história do café, bem como exposições culturais e um ambiente de degustação, com processo de torra no local.

Casa de Cultura Volta do Mundo – A cultura afro-brasileira, notadamente a capoeira, é a peça central da proposta do projeto. Espaço de economia criativa, a Casa de Cultura que ficará na Rua do Rosário, 24, promoverá eventos ligados à democratização artística carioca e oferecerá cursos para promoção da cultura afro-brasileira.


Ney Matogrosso canta Djavan em disco que sairá em março em tributo aos 80 anos do poeta e letrista Cacaso

Por Mauro Ferreira

 Um dos grandes compositores da MPB, Djavan quase nunca foi gravado por Ney Matogrosso, intérprete da mesma dimensão do artista alagoano.

Descontado o registro coletivo da música Luz do mundo (Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque e Arnaldo Antunes) para o single beneficente Se essa rua fosse minha (1991), idealizado pelo sociólogo Betinho (1935 – 1997), há somente a gravação de Nobreza (1982) feita por Ney em duo com o pianista Luiz Avellar para o Songbook Djavan (1997).

Por isso mesmo, a participação do cantor no álbum Cacaso 80 anos ganha relevância adicional. Ney escolheu cantar Lambada de serpente (1980) – parceria de Djavan com Cacaso lançada por Djavan no álbum Alumbramento (1980) – no tributo produzido por Renato Vieira e programado para ser lançado em 7 de março pela gravadora Kuarup.

Primeira conexão de Ney com a obra poética de Cacaso, a gravação de Lambada de serpente foi feita com piano, arranjo e direção musical de Alexandre Vianna, além dos toques dos músicos João Benjamin (baixo acústico) e Kabé Pinheiro (bateria e percussão).

Como o título Cacaso 80 anos já explicita, o disco foi idealizado por Renato Vieira para festejar postumamente o 80º aniversário de Antônio Carlos Ferreira de Brito (13 de março 1944 – 27 de dezembro de 1987), o poeta e compositor mineiro conhecido artisticamente como Cacaso.

Além de Ney Matogrosso, cuja faixa será apresentada antes do álbum em single agendado para 9 de fevereiro, participam do tributo artistas do porte de Edu Lobo.

Alaíde Costa canta Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975). Claudio Nucci revive As coisas, parceria de Nucci com Cacaso lançada em 1984. Filó Machado espalha novamente Perfume de cebola (1984), parceria de Filó com Cacaso apresentada há 40 anos em disco do coautor da música.

Joyce Moreno revisita Gente séria (Joyce Moreno e Cacaso,1982) com letra inédita, diferente da gravada por Emilio Santiago (1946 – 2023) no álbum Ensaios de amor (1982). Leila Pinheiro dá voz a Triste Baía da Guanabara, parceria de Novelli com Cacaso gravada por Djavan no mesmo álbum Alumbramento que apresentou Lambada de serpente. Já Toquinho e Camila Faustino revivem juntos Francamente (1980), parceria de Toquinho com Cacaso.

 

Bússola Cultural: semana tem oficina de quadrinhos com ganhador do Prêmio Jabuti

Oficina de Roteiro para Histórias em Quadrinhos, com Rafael Calça
Quando? 30 e 31 de janeiro, das 14h às 17h.

Onde? Biblioteca Parque Villa-Lobos, Av. Queiroz Filho, 1205 - Alto de Pinheiros.

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Saiba mais: Venha aprender nesta atividade as ferramentas básicas para começar o próprio roteiro.

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Rafael Calça é escritor, roteirista de histórias em quadrinhos e animação, além de ilustrador editorial e storyboarder de publicidade.

Seus trabalhos de maior destaque são “Jeremias – Pele”, em que recriou o personagem de Maurício de Sousa em uma HQ sobre racismo na infância, tendo recebido o reconhecimento de público e crítica, além do prestigioso Prêmio Jabuti.

Gratuito, a partir de 16 anos. Mais informações: BVL.
Espetáculo do Circo Moscou no Mundo do Circo

Atividades gratuitas no Mundo do Circo

Quando? 28 de janeiro, domingo, às 17h.

Onde? Mundo do Circo, Av. Cruzeiro do Sul, 2630 - Carandiru, São Paulo.

Saiba mais: O Circo Moscou possui matriz na Rússia, sendo uma grande companhia circense na Europa. Artistas nacionais e internacionais, malabaristas, trapezistas, acrobatas, bailarinas, palhaços e o incrível globo da morte proporcionam um espetáculo de tirar o fôlego.

Entrada gratuita.
Os ingressos serão distribuídos 1 hora, antes de cada espetáculo.
Cada pessoa poderá retirar no máximo 5 ingressos por espetáculo.
Classificação livre.
Mais informações no site.
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Lançamento do samba-enredo do Cordão do Bule, no Museu da Língua Portuguesa

 

Cordão do Bule apresenta samba-enredo do Carnaval 2024, no Museu da Língua Portuguesa

Quando? 27 de janeiro, a partir das 15h.

Onde? Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz, s/nº - Centro Histórico de São Paulo - Saguão B do Museu da Língua Portuguesa.

Saiba mais: A programação do Carnaval no Museu da Língua Portuguesa começa no dia 27/1, com o lançamento do samba-enredo do Cordão do Bule.

A partir das 15h, o grupo vai apresentar o samba "O mais importante é a nossa história e a mente é a expressão da liberdade e músicas" de Carnavais anteriores, com a presença da bateria Batucada Ebulição.

Haverá ainda a nomeação da Rainha do Cordão do Bule e a entrega do estandarte a um dos integrantes da agremiação. Em seguida, acontece um debate sobre a saúde mental na luta antimanicomial por meio da arte.

Grátis. Mais informações aqui.
Exposição “E o palhaço, quem é!?” no Paço das Artes

 

O Palhaço, 2017

Quando? De 02/02 a 31/03/2024, de terça a sábado, das 11h às 19h; domingos e feriados, das 12h às 18h.

Onde? Paço das Artes – R. Albuquerque Lins, 1345 – Higienópolis.

Saiba mais: A exposição “E o palhaço, quem é!?” tem curadoria de Renato De Cara e reúne obras de mais de trinta artistas.

São imagens icônicas de palhaços reproduzidas em fotografias históricas e anônimas, em pinturas de jovens irreverentes e contemporâneos, retrabalhadas como objeto de arte por grandes nomes do campo, questionando valores e empatia.

Gratuito.
Classificação indicativa: 14 anos.
Mais informações aqui.
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BibliON - Clube de leitura online

 

Como aprendi a pensar

Quando? 31 de janeiro, das 19h às 20h30 e 1° de fevereiro, das 19h30 às 20h30.

Onde? On-line, na BibliON.

Saiba mais:

“Como aprendi a pensar”: um dos pensadores pop mais respeitados pelo público e pela crítica, Luiz Felipe Pondé apresenta neste livro uma história da filosofia diferente – a história dele com a filosofia.

Ele cita romancistas como Nelson Rodrigues, cientistas como Charles Darwin, economistas como Karl Marx e os psicanalistas Sigmund Freud e Carl Jung.

Link do Clube de Leitura na BibliON.
“Gris, de Cida Pedrosa”: é uma coletânea que reúne 50 poemas de Cida Pedrosa, os quais trazem uma mostra significativa da produção desta autora cuja obra se alimenta da urbe e se confunde com o estar na cidade e vivê-la.

Link do Clube de Leitura na BibliON
HIP-HOPERIFA

 

Hip-Hoperifa

Quando? 4/2, sábado, das 13h às 17h.

Onde? Fábrica de Cultura Jardim São Luís, na Rua Antônio Ramos Rosa, 651.

Saiba mais: Hip-Hoperifa é um evento de trocas voltado para dança, com professores renomados da cena e, também, artistas da comunidade. Um evento com aulas gratuitas, batalhas de dança e show cases, cultivando e celebrando a arte.

Gratuito.
Livre.
Mais informações aqui.
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Workshop “A energia sustentável na robótica”

 

A energia sustentável na robótica

Quando? 31/1 – quarta-feira, das 14h30 à 16h30.

Onde? Oficina Cultural Maestro Juan Serrano, na Rua Joaquim Pimentel, 200 - Brasilândia - São Paulo/SP.

Saiba mais: Uma introdução à robótica. Tecnologias criativas serão apresentadas como possibilidade de geração de energia elétrica de maneira autônoma no Projeto Tendas de Verão.

Recursos como sensores, componentes eletrônicos, placas de controle e captação serão abordados para melhor entendimento do circuito que alimenta um sistema. Um dos objetivos desta energia limpa é buscar soluções eficientes para contribuir com comunidades que não têm acesso à eletricidade, utilizando a luz solar.

Coordenação: DoRobotKits Tecnologia e Educação.
Livre e Gratuito.
Todo material será disponibilizado gratuitamente durante a atividade.
Mais informações aqui.
Sombras-Luzes: identidade na diáspora japonesa

 

Sombras-Luzes: identidade na diáspora japonesa no Brasil

Quando? De 23 de janeiro a 5 de maio de 2024.

Onde? Museu da Imigração, na rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca.

Saiba mais: O Museu da Imigração está com a exposição Sombras-Luzes: identidade na diáspora japonesa no Brasil, das artistas Cristina Suzuki e Claudia Kiatake.

A sombra é um elemento importantíssimo para a cultura japonesa, sobretudo no período Edo, em que o Japão fechava seus portos para estrangeiros.

Funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h (fechamento da bilheteria às 17h).
R$ 16,00 e meia-entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos.
Grátis aos sábados e todos os dias para as crianças com até 7 anos.
Mais informações: Museu da Imigração.
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Lançamento do livro "Abayomi: a menina de trança"

 

Abayomi: a menina de trança

Quando? 03 de fevereiro, às 14h.

Onde? Museu das Favelas, na Av. Rio Branco, 1269 - Campos Elíseos.

Saiba mais: O lançamento do livro para crianças e adolescentes, "Abayomi: a menina de trança", será um momento especial com um bate-papo sobre o livro, vivências da escritora e a oportunidade de adquirir cópias autografadas pela autora, Aniete Abreu.

Esta leitura abre portas para a compreensão de questões étnico-raciais, inspirando a luta por respeito, aceitação e igualdade.

Gratuito e livre.
Mais informações em: Museu das Favelas
Espetáculo Saltimbancos

 

Há vários espetáculos gratuitos nas Fábricas de Cultura

Quando? 27/01/2, às 15h.

Onde? Fábrica de Cultura Itaim Paulista, na R. Estudantes da China, 500 - Itaim Paulista.

Saiba mais: A história de "Os Saltimbancos" conta a jornada de quatro animais - um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata - que, insatisfeitos com o tratamento nas fazendas, decidem fugir e tentar a sorte como músicos na cidade.

No decorrer da narrativa, enfrentam desafios e adversidades, mas encontram apoio mútuo e aprendem a superar suas diferenças em prol de um objetivo comum.

Com música e humor, a história destaca temas como amizade, cooperação e a busca por uma vida melhor, cativando o público, especialmente as crianças.

Gratuito e livre.
Mais informações aqui.


O Dia Mundial da Cultura Africana e dos Afrodescendentes, o que temos a comemorar?

 

O Dia Mundial da Cultura Africana e dos Afrodescendentes, 24 de janeiro, foi estabelecido, em 2019, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) por ocasião da 40ª sessão na Conferência Geral, para homenagear as culturas do continente africano e as diásporas africanas em todo o mundo, visando reforçar e promover apreço, admiração e reverência à diversidade cultural e a criatividade humana.

Também nesse dia rememora-se o Lançamento da Carta para o Renascimento Cultural da África, elaborada por chefes de Estados e governos membros da União Africana (UA), durante a 6ª sessão Conferência. Cabe ressaltar que a UA foi fundada em 2002, em substituição a Organização da Unidade Africana (1963), presente em todos os países africanos, com o objetivo de prevenir conflitos naquele continente, e com intuito de promover o desenvolvimento dos países, busca acelerar o processo de integração na região.             

A diversidade cultural da África se expressa nas diversas etnias, idiomas, tradições, religiões e contribuições culturais que são raízes presentes na cultura afro-brasileira (costumes, músicas, danças, culinária, expressões estéticas, corporais, plásticas e filosóficas etc). Assim, esta data nos permite refletir, debater, valorizar as contribuições culturais africanas na formação da sociedade brasileira, e homenagear as produções artísticas, literárias e cinematográficas afro-brasileiras inspiradas nessa cultura rica, vasta e pujante.

Lembrando   que “nossos passos vêm de longe...” Sintamo-nos representados por Cristina Soares, Juliana Segóvia, Lilia Guerra, Mila Rodrigues, Plínio Camillo, Robson Barbosa e Rozzi Brasil.  

    

Cristina Soares, ilustradora, mestre em história, membra do Coletivo de Mulheres Negras - Herdeiras do Quariterê e autora do livro “Mulheres na História Africana em Mato Grosso”, destaca a importância da data: “é de extrema importância e marca o grande avanço em nossas lutas por direitos e igualdade. O continente africano foi ora invisibilizado, ora demonizado pelo discurso oficial (eurocêntrico) que não aceitava o protagonismo da população negra. Diante desta data comemorativa da cultura africana e dos afrodescendentes, vemos a necessidade de gritar aos quatro cantos: “Nós existimos. Nós reexistimos. Amamos quem somos. Somos protagonistas de nossa história”. Como mulher negra, afro-brasileira me sinto orgulhosa em ver que nossas lutas não são vãs. Plantamos sementes por acreditar que vão germinar e que as próximas gerações vão colhem os frutos.”

 Cristina tem quadro semanal num programa de televisão onde dá dicas de leituras, foca em produções multiculturais e antirracistas. Ela menciona a importância de se produzir livros, músicas e filmes que sejam protagonizados e produzidos por afrodescentes evidenciando e valorizando a produção cultural e artística afro-brasileira. Utiliza o espaço aberto para alcançar, incentivar pessoas e enfatizar a necessidade de posicionar de forma quotidiana política e socialmente: “é importante lutarmos por um mundo melhor, mais justo, que as novas gerações conheçam a força que existe no continente africano, por isso não dá para ficarmos paradas, esperando que outras pessoas façam ou ocupem nosso lugar. Vejo a arte, a cultura, a escrita como uma grande arma de luta. A ciência, os conhecimentos que aprendemos de nossas mães negras, se tornam realidade possíveis para que enxerguemos beleza, riqueza em nossa ancestralidade. A responsabilidade de construir um mundo melhor pertence a nós”.

 

 

Juliana Segóvia é cineasta, arte educadora, graduada em Comunicação Social e mestre em Estudos de Cultura Contemporânea-UFMT, membra-fundadora do Coletivo Audiovisual Negro Quariterê, renomeado em 2022 para Instituto Quariterê.  Produtora de curta-metragem documental “A Velhice Ilumina o Vento”, “Benedita” e muitos outros. Jú Segóvia destaca o papel político do Instituto como um Aquilombamento, a importância da temática, do protagonismo negro e da seleção da equipe de produção: “Temos o objetivo de trazer à tona a discussão contemporânea dos aquilombamentos urbanos, que são reuniões de coletividades e lutas. Quilombo do Quariterê liderado por Tereza de Benguela, tinha essa composição: pessoas pretas, indígenas vivendo em coletividade, colaboração e cooperação. Num processo de resistência e de sobrevivência, mas em cooperação. Então, nós somos nesse aquilombamento, temos esse posicionamento político de lutas, e lutas por políticas públicas (...). As produções cinematográficas são construídas e realizadas para que não sejam só focadas no protagonismo de pessoas negras. Também pensamos nos bastidores dessas equipes, que são majoritariamente compostas de pessoas negras, indígenas e por pessoas dos variados recortes de sexualidade e gêneros. Porque a nossa missão é contemplar a presença do protagonista do profissional, do trabalhador que faz parte dos recortes minoritários.”

 Jú Segóvia, de maneira convicta e serena, continua em suas ponderações essenciais: “A relevância que a gente é um grupo que faz luta por políticas públicas afirmativas. É um grupo que faz luta pelo acesso à formação, através da idealização de projetos formativos, incentivando novos profissionais. Nós também somos um grupo que foca na realização e na produção audiovisual, e de cinema. É nesse recorte das produções voltadas para o cenário cinematográfico, daí entram as mostras de cinema negro de Mato Grosso, por exemplo, estamos indo para a sétima edição em 2024 e pela primeira vez com incentivo público, pois fomos contemplados com o edital, viver cultura”.

A cineasta fala das realizações e dos trabalhos anteriores mas acentua a necessidade dos investimentos públicos para a realização de projetos futuros: ”em 2023 nós circulamos fazendo exibição: na Casa das Pretas, em centros comunitários, escolas técnicas e municipais, e bairros periféricos como no Parque Geórgia. E vamos ampliar o projeto cineclube Encruzilhada, pois fomos contemplados pelo edital municipal. Assim que acessarmos essa verba, vamos fazer uma circulação mais robusta por bairros periféricos e escolas da grande Cuiabá e Várzea Grande. É um projeto que a gente tem muito orgulho, muita felicidade por estar concretizando”. 

Lilia Guerra, paulistana, servidora da área de saúde, escritora das obras: O Céu Para os Bastardos, Perifobia, Rua do Larguinho, Crônicas para colorir a cidade e Escrita pulsante, vibra a vida das margens, das bases, ilumina as experiências extraordinárias das mulheres da sua família materna. Lilia escreve sobre o que ouve, acolhe, observa e conhece nas ruas, ônibus, periferias, cozinhas e no serviço público de saúde. Atendendo os desejos e sonhos da mãe percorre o chamado da ancestralidade, seus sentidos caminham lado a lado com inúmeras outras mulheres negras afrodescendentes.

Com Lilia peroleiamos (sua escrita assemelha as conchas que produzir as raras pérolas), com as várias camadas dos seus textos, nos deleitamos com suas inspirações e cenários. Ela explica:  “Escrever é como conversar em pensamento com minha Vó. Como se ela estivesse ao meu lado, ainda. E pudesse compartilhar das minhas descobertas.  Hoje sei que ela não tinha culpa, como pensava. Pelo aluguel atrasado, pela escassez. Pela ausência de estudo. Escrevo porque muita gente ainda se sente culpada. O que eu não pude contar pra Vó, procuro registrar nos escritos”. Com a voz serena e aveludada, reconecta-se ao que ouve dos grandes músicos e compositoras do samba-canção, inspira-se nos fragmentos das múltiplas narrativas negras e recompõe esses sentimentos e emoções em suas criações literárias.  Fazendo dos seus escritos obras que tornam as mulheres negras visíveis recolocando-as ao nível das imortais, estão todas ascencionadas como nos itans.

Mila Rodrigues é escritora literária, entre outras obras, publicou em 2022 o livro “Corpo Diáspora”, pela editora Letramento, em parceria com Laísa Costa. Trata-se de um compilado de textos de duas mulheres afrolatinoamericanas – uma nascida em Cuiabá e outra em Salvador - cujos caminhos entrecruzam-se na abundante e gelada São Paulo. Ela afirma que a literatura: “é uma forma de intelectualidade, é particularmente importante disputar esse espaço sendo quem somos”. Ao citar a autora Miriam Santos, em Intelectuais negras: prosa negro-brasileira contemporânea (2018) aponta: “ que empreender uma discussão sobre o papel da escritora negra enquanto intelectual contemporânea é sinalizar que esta construção chega à esfera pública como uma intervenção na realidade social; está se apresenta de forma assimétrica, mantendo e (re)produzindo divisões de gênero e étnico-raciais tão marcadas na nossa história brasileira”.

Mila faz reflexões do contexto das narrativas e escritas de mulheres negras, afrodescendentes e afro-latino-americanas e revela urgências e cita suas influências: “seja pelas ausências, seja pelo silenciamento de sua presença; seja pelas representações violentas e opressoras, seja pela potência que a mesma revela. De escritoras brasileiras – como Firmina dos Reis, Luciene Carvalho e Ryane Leão – a inúmeros outros pontos do globo, temos uma produção afrodescendente feminina profícua e que data de muito mais tempo que se costuma conhecer”.

Plínio Camillo é escritor, mas se define como “escrevinhador”, ator, diretor teatral, educador social, palestrante, promove oficinas de escrita e roteiro e mantém um canal no Youtube intitulado "Notas de Escurecimento", onde entrevista escritores negros brasileiros, com temáticas e escrituras enegrecidas sob um foco antirracista.  Ele destaca a importância do teatro, da literatura dos afros descendentes: “são meios, espaços de manifestação da nossa negritude, do ser negro no Brasil ontem hoje e temendo pelo amanhã. São instrumentos também que nos ligam e religam com os nossos antepassados que foram sequestrados nas Áfricas, não por sua força de trabalho, mais pela tecnologia que desenvolviam e os europeus não tinha.  Essas soluções esses instrumentos não vieram em livros ou escritos, porém na pele, na musicalidade da língua, nas histórias dos deuses e orixás, na pintura e nos trançados de cabelos. Sim essa até tem influência dos povos originais daqui e de outras culturas, porém tudo escurecida e enegrecida como tem que ser. Também tem o valor de salvação e da comunicação, de conversar com os que virão. Bora lá que as lutas não estão nem no fim”.

 

Robson Barbosa, natural de Itajaí-SC, tem uma página chamada Iustrablack desenvolveu seu trabalho em software de desenho (Photoshop e Procreate) há mais de 10 anos. O trabalho dele tem grande visibilidade, pois evidencia sua habilidade única de mesclar a beleza da arte clássica com o mundo digital. Sua técnica de óleo digital captura a profundidade e a riqueza da pintura tradicional, com um toque contemporâneo. Suas obras notáveis incluem capas de livros que transmitem mensagens poderosas e celebram a estética negra no Brasil, incluindo "O JESUS NEGRO" de Henrique Vieira; “MALES – Revolta dos escravizados na Bahia e seu legado” de Gilvan Ribeiro e “O nome dela é Luana” de Eberson Terra e Gustavo Nascimento.

     

Robson nos declarou que tem a função do Ilustrablack: “é um defensor apaixonado pela inclusão e igualdade racial, usando sua arte para inspirar e unir pessoas nas redes sociais. E fala sobre dois dos seus trabalhos: “desenvolver a capa do livro e dar um rosto para Jesus Negro periférico no Brasil é algo muito simbólico e marcante para esse momento da vida”. Já a luta dos Males é a luta da população negra, muçulmana e adeptos de religiões de matriz africana por respeito, liberdade e dignidade no Brasil, assim encerra de forma quase heroíca: “a capa foi desenvolvida com a intenção de dar forma e cor para a força desse povo que se planejou e executou um grito de basta! ” 

 

 Rozzi Brasil - estreou com diretora do curta metragem #Procuram-Se_Mulheres (2018), premiado em 2019, como Melhor Curta de Temática Social, com o troféu Rede Sina no Festival de Cinema e Vídeo de Santa Maria-SMVC, no Rio Grande do Sul, e com o troféu Calunga na categoria Melhor Edição de Som, na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Nacionais do Cine, de Pernambuco. É cofundadora do movimento MUQ - Mulheres nas Quebradas do PACC/UFRJ que desenvolve o projeto #LivresLivros, voltado para a produção literária de mulheres periféricas, através das oficinas de leitura e escrita. A Mestre Quebradeira da Universidade das Quebradas Rozzi fala despretensiosamente do seu sonho: “para que elas coletivamente desabrochem suas potencialidades e narrativas, produzindo ao final do curso, um e-book, essa linda iniciativa além de acolher, ouvir, coleta histórias de mulheres incríveis e um celeiro fértil que fortalece mulheres com suas escritas potentes”. É autora do Livro Histórias da Cabrochinha (2023) sobre as diversas violências que mulheres negras sofrem desde a mais tenra infância, é coautora em seis antologias entre os anos de 2020 e 2022. É fotógrafa, designer, podcaster, apresentadora e compositora tendo formado a primeira parceria de samba-enredo só de mulheres numa escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro,  Samba das Guerreiras.

A importância de comemorar a cultura africana corrobora no desempenho do papel basilar no desenvolvimento harmônico, respeitoso dos membros de uma sociedade. É uma maneira de ajudar as pessoas desenvolverem e reconhecerem suas identidades, ampliar a formação individual, gerando pensamentos e conhecimentos, valores étnicos, morais, intelectuais, produzindo indivíduos que sejam capazes de conectar as outras pessoas. Axé Muntu!

 

Por Gilda Portella, sacerdotisa de Umbanda, multiartista, historiadora/UFMT e mestranda em Estudos de Cultura Contemporânea/UFMT.

 


Intolerância Religiosa. Mito ou Fato?

Por Gilda Portella, sacerdotisa de Umbanda, multiartista, historiadora/UFMT, mestranda em Estudos de Cultura Contemporânea/UFMT.

 

Nos caminhos da história da intolerância religiosa, Sidnei Nogueira, radiografa o fenômeno da intolerância religiosa do Brasil e do mundo. O livro Intolerância Religiosa, conclui que as violações e perseguições religiosas crescem globalmente, e por aqui há um recrudescimento, vítimizando as religiões afro-brasileiras. Diz que o nome ‘intolerância religiosa’ mascara o racismo e encobre a violência infligida aos negros e negras de Comunidades Tradicionais de Terreiro (CTTro).

Vendo este movimento como racismo epistêmico, estrutural, cultural, no exercício de apagamento da história de origem negra, numa esquizofrênica epistemologia, sem cosmovisão africana, sem produções de saberes, ignorando tecnologias e práticas, cujos guardiões culturais-religiosos, filosóficos são os terreiros e suas “ialorixás” - mãe de santo, é a sacerdotisa do terreiro e “babalorixá” - também conhecido como pai de santo, é o sacerdote das religiões afro-brasileiras.

A primeira juíza negra Tatiana dos Santos Batista, da comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade-MT dá um enfoque jurídico ao Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa, e nos relata que: “a liberdade religiosa é para nós, no Brasil, um direito fundamental e também um Direito Humano. Direito fundamental, consagrado na Constituição Cidadã, de 1988, um direito humano reconhecido na declaração universal de Direitos Humanos e também em outros documentos internacionais, no qual o Brasil adotou no seu ordenamento jurídico”

Segundo a BBC 'Liberdade religiosa ainda não é realidade': os duros relatos de ataques por intolerância no Brasil, em 29 de janeiro de 2023 afirma que: “O número de denúncias de intolerância religiosa no Brasil aumentou 106% em apenas um ano. Passou de 583, em 2021, para 1,2 mil, em 2022, uma média de três por dia.  A maior parte foi feita por praticantes de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. Seis em cada dez vítimas são mulheres. Só nos primeiros 20 dias de 2023, o Disque 100, canal para denúncias de violações de direitos humanos, registrou 58 ocorrências”.

A pesquisa revela a dura realidade brasileira, do racismo religioso enraizado na formação da sociedade brasileira, embrenhado nas relações sociais, culturais e religiosas cotidianamente, assim esses dados podem não refletir a realidade, pois de acordo com o relatório realizado pela Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro): “Mapeamento do Racismo Religioso Contra Os Povos Tradicionais de Religiões de Matriz Africana", que ouviu lideranças de 255 comunidades tradicionais de terreiros, no qual 78% dos entrevistados relataram que membros de suas comunidades já sofreram algum tipo de violência, física ou verbal, por racismo religioso”.

Outros dados merecem ser olhado com atenção foram coletados em ambientes virtuais, os números de casos criminais de intolerância religiosa quintuplicou em 2022: “Segundo levantamento da Safernet, ONG que mantém uma central de denúncias de violações contra direitos humanos, como racismo, misoginia e xenofobia, os ataques online saltaram de 614, entre janeiro e outubro de 2021, para 3,8 mil, no mesmo período de 2022, um crescimento de 522%.”.

Esses números alarmantes sinalizam forças orquestradas, sistematizadas pelo racismo, preconceito, injuria racial, atuando diariamente na tentativa de apagar, invisibilizar, de desmontar, tudo que for ligado as tradições culturais e de religiões de matriz africanas e afro-brasileiras.

No subitem do Livro: Intolerância religiosa trás: “Rumos da intolerância e do apagamento religioso preto e estigmatizado no Brasil: da negação à inexistência”, traz dados de pesquisas do livro Presença do axé: mapeando terreiros no Rio de Janeiro de Fonseca e Giacomini (2013) e o levantamento dos dados nacionais do disque 100.

A pesquisa demostrou que dos 840 terreiros cerca de 51% já sofreram agressão (discriminação religiosa); chama atenção os locais das agressões -57% ocorreram em espaços públicos - e apresenta os agentes agressores – 39% são evangélicos, isso os coloca em primeiro lugar entre agentes agressores e ou discriminadores.  No disque 100 os dados coletados vão de 2011 a 2018, trago a análise do ano de 2018 segundo Sidnei Nogueira:

 “(...) das 506 denúncias, 30% (152) das vítimas são adeptos de umbanda, candomblé ou religiões de matriz africana; 1,97% (10), católicas; e 11,6% (59), evangélicas e protestantes. Do total, 51% (261) não especifica qual a religião. Os dados revelam que a religião hegemônica, a católica, quase não é perseguida e, na sequência, os evangélicos e protestantes sofrem cerca de 10% das perseguições. No entanto, os adeptos de umbanda, candomblé e religiões afins são alvo de 30% das perseguições. Ao se considerar a invisibilidade, a marginalização, a estigmatização e a vergonha desses grupos em assumirem ser praticantes dessas tradições religiosas de origem africana, pode-se elevar o número de denúncias para praticamente 80% com o somatório das denúncias com e sem informação da religião”.

Vemos aqui um agravamento pois 30 por cento das vítimas estão entre os adeptos de religiões de matriz africanas e afro-brasileiras, se acrescentarmos a isso o fato que entre esses há um grande número de negros, fica claro que tais ações são efetivamente racistas.

Assim podemos afirmar há Racismo Religioso. Cabe perguntar por que, e quem tem medo, vergonha de auto declarar sua religião, ou de professar sua fé abertamente. Assim podemos concluir que os 80 por cento dos que não informaram sua religião com certeza não pertencem à religião dominante, oficial e não são pessoas brancas ou pertencentes a classes mais favorecidas. Os dados evidenciam o quanto o Brasil, a sociedade, nós somos racistas e precisamos urgentemente adotar uma educação, com postura antirracista.            

Esses dados evidenciam as forças organizadas, sistematizadas pelo racismo que atuam cotidianamente e forçam um apagamento, uma desmonte, uma inviabilização, de tudo que for ligado a tradição -“saberes de uma ancestralidade negra que vive nos ritos, na fala, nos mitos, na corporalidade e nas artes de sua descendência”, enfim cuja origem for assentada na cultura e na identidade afro-brasileira. Não se trata apenas de uma violação da integridade física, mas permanentemente dá indícios de ameaças: morais, patrimoniais, simbólicas e psicossociais. Há violação dos direitos humanos. 

Dionildo Campos, advogado, sacerdote de umbanda, dirige o Centro Espírita Nossa Senhora do Carmo em Cuiabá há mais de 15 anos, cita a reportagem do Mundo Negro vinculada no site dia 16 de janeiro de 2024 com o título “Intolerância religiosa representa 33% dos processos por racismo no Brasil em 2023, aponta pesquisa” onde ressalta que: levantamento feito pela JusRacial mostrando que tribunais brasileiros registraram mais de 176 mil processos por racismo em tramitação em 2023, sendo 33% deles por intolerância religiosa. Comparado a 2009, ano em que foi realizada pesquisa semelhante, houve crescimento de 17.000%.

Ele cita Hédio Silva Jr, advogado das religiões brasileiras no STF, mostrando como o preconceito religioso está em nosso cotidiano e oscila nos polos ódio-medo e conclui que a demonização dos cultos da umbanda precisa ser rechaçada com uma educação democrática e multicultural: “As democracias são corroídas diariamente pelo discurso de ódio religioso que acabou indo para a política, mas que no Brasil tem DNA em alguns templos neopentecostais cuja equação discursiva básica visa proliferar o medo, materializando nas religiões de matriz africana a figura do mal. Fora do continente africano somos o país com maior população negra e temos nosso ethos marcado tanto pelo legado civilizatório africano quanto por sua satanização”. O pai de santo Dionildo Campos lembra que: “examinando nosso dia a dia, nossa história, vemos que há muito de africanidades em nossa linguagem, em nossos gestos, em nossa luta, na arte marcial da capoeira, em nossa alimentação, em nossos costumes e em nossa tez. Ignorar isso é ignorar a própria essência, e as próprias raízes”.

Giulianna Altimari, jornalista, colunista social, sacerdotisa de Umbanda do Centro Espirita Santa Sara e São Francisco, autora do livro Rituais de Umbanda: velas e símbolos, destaca: há diversas leis que asseguram o nosso direto de expressar e frequentar qualquer religião ou não. Giulianna continua citando trechos da constituição:   “VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”. E finaliza a sacerdotisa de umbanda: “Toda religião prega o amor, que amor frágil é esse que não pode ser contrariado. A minha fé é melhor que a sua, a minha igreja, o meu terreiro, meu templo é melhor, só minha religião salva. Isso é a maior estupidez e ignorância humana, significa que não apreenderam nada ainda, é uma pena.” 

O Brasil é um Estado laico. As pessoas têm o direito de professar sua fé. Os terreiros são espaços sagrados, ali há produção artística, cultural, a saberes ancestrais. As tecnologias e práticas ali vivenciadas estão nas mãos de guardiões culturais-religiosos (mães e pais de santo); os conhecimentos desses espaços sagrados são frutos de experiências, de filosofias e cosmovisão africanas e afro-brasileiros. Que abramos nossos olhos, ouvidos e a compreensão para valorizarmos essa riqueza material e imaterial.      


Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Visando combater o racismo que tenta inibir o culto à ancestralidade negra, expor seus adeptos a recorrentes preconceitos religioso, intolerância, atitudes discriminatórias e como um ato em homenagem a Mãe Gilda, em 2007 foi sancionada a Lei nº 11.635 que faz do 21 de janeiro o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e Dia Mundial da Religiões. A data, que é celebrada pelos praticantes das religiões de matriz africana, serve ainda para suscitar debates, reflexões e motivação na busca pela liberdade do culto religioso e combate ao racismo.

Ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, a conhecida Mãe Gilda de Ogum, fundou em 1988 o Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé da nação Ketu, nas imediações da Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã em Salvador (BA). Teve sua foto publicada na edição de 1999 pelo jornal Folha Universal, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam a bolsa e a vida dos clientes- O mercado da enganação cresce no Brasil, mas o Procon está de olho”. Além desse fato, teve seu templo invadido e depredado por membros da Igreja Deus é Amor, tentaram “exorcizá-la”, seu marido foi agredido física e verbalmente. 

A mãe-de-santo decidiu-se pela ação judicial contra seus agressores e difamadores. Mãe Gilda faleceu no ano seguinte, aos 65 anos, de um infarto fulminante, segundo sua família, em consequência dos traumas dos ataques, que a abalaram profundamente. Em 2004, a Justiça condenou a Igreja Universal e sua gráfica (IURD) a indenizar a família da ialorixá em R$ 1.372.000 pelo uso indevido de sua imagem.

O caráter emblemático deste caso levou a Câmara de Vereadores de Salvador em 2000 a transformar a data do seu falecimento em “Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa". Em 27 de dezembro de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.635, instituindo o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.  

Silviane Ramos Lopes da Silva, historiadora, doutora em sociologia, fundadora do Coletivo de Mulheres Negras Herdeiras do Quariterê e Potências Negras, iniciada ao candomblé desde o ventre materno, quando em Cuiabá se identifica e pertence ao Centro Espírita Nossa Senhora do Carmo e em conversa sobre a importância do dia 21 de janeiro, Silviane foi contundente ao trazer a fala “O gargalo da intolerância religiosa é o racismo estrutural e suas ramificações”. O que a motivou a evidenciar que há engasgos educacionais que precisamos reparar!:

 “Enquanto praticante de religião de matriz africana, e educadora minha esperança é que a lei 10.63903 e 11.64508 e o Estatuto da Igualdade Racial sejam propulsores para romper com o racismo estrutural, e com o racismo religioso. Se a educação transforma e mobiliza para oportunidades, ela precisa urgentemente transformar os olhares para as diversas manifestações religiosas de matriz africana e afro brasileira. Respeito à diversidade inclui respeito ao credo e à fé de cada um. Alimentar a crença demoníaca baseada na sua noção religiosa e julgar as outras; além de criminoso e nada educativo, oprime ainda mais quem tem crença diferente do padrão hegemônico e coloca como certo e errado. Fé é de cada um e deve ser respeitada. O silêncio de hoje é o chicote que nossos ancestrais tiveram que aguentar, então gritemos: Basta de racismo religioso e viva nossa fé embebida de mãe Africa.”

João Bosco da Silva, babalorixá do Ilè Okowòo Asè Iya Lomin’Osa, diz da importância da data para combater a intolerância religiosa, discorre sobre o ataque a uma casa de axé e cita o caso de uma adepta da religião de matriz africana que foi demitida em Cuiabá-MT por apresenta-se de cabeça raspada no seu ambiente de trabalho, após ter passado por uma iniciação num ritual religioso do candomblé:

“O racismo religioso deve ser combatido cotidianamente, visto que essa prática nefasta é acometida corriqueiramente contra nós religiosos (as) afro. Essa data (21 de janeiro) para nós é de suma importância, pois, além de rememorar o falecimento de uma líder espiritual (Mãe Gilda de Ogum) grande lutadora contra o racismo religioso, convoca os brasileiros, em especial os de religiões de matriz africana e afro-brasileira a perseverar na luta constante contra qualquer forma de manifestação racista às nossas sagradas práticas religiosas.

Pois, os ataques verbais, psicológicos e físicos são constantes em diversas partes do Brasil, e em Cuiabá-MT não é diferente, como noticiado pela Folha Uol, de 15-03-2023: “O terreiro de Umbanda e Candomblé, Templo Espiritualista São Benedito Reino de Oxóssi no bairro Umuarama em Cuiabá sofreu um ataque motivado por intolerância religiosa na madrugada da última segunda-feira (13)”. Ou ainda como noticiou a Folha Uol, em 22-10-2020: “Uma prestadora de serviços gerais está processando uma empresa de limpeza de Cuiabá por intolerância religiosa e racismo. Regina Santana, 41 anos, diz ter sido demitida após aparecer no trabalho de cabeça raspada, decorrente de um ritual religioso.” 

Pai João Bosco, ativista sociais e dos movimentos negros a mais de trinta anos, mestre em História pela UFMT, enfatiza que a conduta há de ser por uma luta continua, diária, à sensibilização, à conscientização da violação dos direitos humanos e vê novos tempos, onde há coragem para as denúncias de intolerância religiosa. Para ele tais casos hão de ser encarrados e nomeados como racismo religioso.

“Esses são apenas dois casos para exemplificar o quanto a nossa luta contra o racismo religioso deve ser cotidiana e constante. E, é bom ressaltarmos que nós praticantes de religiões africanas e afro-brasileira não estamos mais acuados e intimidados com as práticas racistas, ao contrário estamos alertas e atentos buscando fazer valer os direitos havidos na Constituição Federal. Em outros tempos, essa senhora da matéria do site Uol sofresse esse racismo religioso, ela silenciaria e jamais denunciaria seus algozes, porém na atual conjuntura, consciente de seus direitos ela usou coragem e ousadia ao fazer a denúncia. ”

 O sacerdote de candomblé tem um centro cultural interligado a sua casa de axé, finaliza mostrando ação proativa desenvolvida em seu espaço sagrado: cartilha orientativa, como meio de educar, de instrumentalizar os membros de comunidades religiosas e considera ferramenta útil para sensibilizar, enfrentar e denunciar casos de racismo religioso:

“Pensando por esse aspecto o Ilè Okowòo Asè Iya Lomin’Osa lançou em 2021 a Cartilha Orientativa: Como Agir em Caso de Intolerância Religiosa, esse documento tem como objetivo principal dar suporte às pessoas praticantes de religiões de matriz africana e afro-brasileira e suas atitudes diante de pessoas racistas às práticas religiosas afro”.

O sacerdote de Umbanda Tharles Figueiredo, da Casa de Caridade Nossa Senhora Aparecida, em Rondonópolis, acerca da importância da celebração do dia 21 de janeiro, diz que:

 “É um exercício significativamente notável como também subjetivo. Apontando-nos enquanto corpos que estão cotidianamente dentro dos terreiros, utilizando nossas roupas brancas e colocando em prática os ensinamentos trazidos pelos nossos mais velhos. Creio que a data carrega essência dual. Por um lado, temos a conscientização de que nossas denúncias estão sendo escutadas e que nosso coletivo não aceitará a manutenção das práticas discriminatória do racismo religioso presente em nossa sociedade.

Por outro lado, é um dia que ouvimos os belíssimos discursos de nossas “autoridades” nas redes sociais e mídias, se colocando em uma posição de “aliados”, enquanto durante o restante do ano ignoram as constantes denúncias de invasões em nossos espaços de culto, além das violências físicas e verbais em diversas localidades de nosso país”.

Pai Tharles Figueiredo, mestrando do Ppgecco da UFMT, lembra intolerância religiosa (invasão de propriedade, roubo dos elementos ritualísticos e oferendas realizadas dentro de um território sagrado) em ocorreu em Rondonópolis:

 “Até hoje, a única denúncia referente a invasão no terreiro que eu ouvi, foi referente ao caso de arrombamento da porta de um centro de umbanda daqui chamado Associação Araxá, dirigido pelo sacerdote Francisco Dias, onde foram divulgados nas redes sociais vídeos e cartas de repúdio às constantes invasões, sobre roubos dos artefatos religiosos e alimentos desse território sagrado.”

 Continua discorrendo sobre constrangimentos tanto em atos ou práticas cotidianas quanto no âmbito privado ou público, e finaliza destacando a necessidade da união entre as diversas casas de axé e praticantes de religiões africanas e afro-brasileira para promoverem ações afirmativas, intervenções mais assertivas como combate ao racismo religioso: 

“Apesar de não ser comum casos de arrombamentos (acredito eu) nos terreiros daqui. Os maiores casos de intolerância religiosa acontecem na transição do médium ao assumir sua identidade enquanto umbandista ou candomblecista, seja ao enfrentamento do racismo familiar, profissional e os constantes olhares negativos ao adentrarmos em espaços públicos como praças, mercados e o andar na rua com nossas roupagens e guias.

Apesar desta data contribuir em certos aspectos, ainda existe a necessidade das famílias religiosas de matriz africana serem mais unidas e promover intervenções sociais contra a intolerância religiosa e liberdade de sermos quem somos. ” 

Cabe mencionar que tolerância é um conceito presente no cenário nacional, em eventos religiosos, em discussões de Direitos Humanos, e ações contra a perseguição às religiões de matriz africanas e afro-brasileiras. Vejamos a semântica da palavra intolerância, revelando a estigmatização na construção da narrativa, nas reflexões trazidas por Sidnei Nogueira no livro Intolerância Religiosa, da editora Jandaira.

Tolerância do latim tolerare significa “suportar” ou “aceitar”. A tolerância é o ato de agir com condescendência e aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir. Ouve-se muito que “é preciso tolerar a diversidade”. A expressão, aparentemente, progressista e bem-intencionada, desperta a indignação de alguns tolerados. Não, não é preciso tolerar ninguém. “Tolerar” significa algo como “suportar com indulgência”, ou seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente tal conduta. Quem tolera não respeita, não quer compreender, não quer conhecer. É algo feito de olhos vendados e de forma obrigatória.

Neste sentido o uso e atribuição da palavra tolerar ganhar um patamar que virtude superior, neutralidade, atribui a “quem tolera” um poder sobre “o que se tolera”; quem tolera acaba considerado como alguém generoso, benevolente, altruísta, por conceder, dar “consentimento do outro existir” como se houvesse uma “cordialidade brasileira”.

Esse discurso endossa práticas, comportamentos e mentalidades que terminam por negar, apagar, silenciar o outro, o direito à existência do que é diferente. Desse modo, o engodo da tolerância quer se fazer crer que somos todos iguais, não é diferente do “mito da democracia racial”, parafraseando Lélia Gonzalez. 

 Destaco a necessidade de promover uma cultura de paz, liberdade de crença, de respeito mútuo entre as diferentes culturas, cultos e práticas religiosas; para viveremos em uma sociedade democrática, pluralista, multiversa é fundamental que todos possam praticar livremente sua fé.

Cabe lembrar a liberdade religiosa é um direito humano básico. Sugiro que às comunidades religiosas, líderes e fiéis trabalhem colaborativamente para construir entendimentos mútuos, debates, atividades, diálogos e respeito por todas as crenças, só assim, construiremos uma sociedade e um mundo mais pacifico e inclusivo.

Vale a pena rememorar as recomendações que as organizações fizeram à ONU para combater o racismo religioso entre as propostas está a implementação e fortalecimento das legislações Anti-Discriminação (leis com penas mais severas e multas de valor elevado para inibir essa pratica maléfica); a promoção de campanhas, programas educativos e de conscientização com diálogos inter-religiosos;  criação de fóruns inter-religiosos municipais, regionais e nacionais; capacitação e sensibilização aos servidores públicos (do judiciário, da segurança pública, da saúde e da educação) e sociedade civil; disponibilização de canais de denúncias (mecanismos de monitoração, relatórios para rastrear e documentar os casos de racismo religioso); apoio jurídico, psicológico, e social às vítimas de racismo religioso; políticas públicas para promover a igualdade religiosa e garantias de participação equitativa a todas as comunidades religiosas na vida pública.      


Fomento à cultura de SP: nova resolução do ProAC ICMS

Mudanças visam aprimorar a modalidade do programa de fomento paulista que funciona por meio de patrocínios incentivados e renúncia fiscal

A resolução que regulamenta o Proac ICMS, Programa de Ação Cultural, foi atualizada com mudanças que visam desburocratizar a cultura. As alterações facilitam a compreensão pela sociedade civil interessada, além de superar os pontos defasados e oferecer melhor gestão do Programa pela UFEC – Unidade de Fomento à Cultura, unidade gestora do programa.

Além da consolidação das regras vigentes, a nova resolução apresenta inovações que pretendem detalhar o funcionamento do programa. O ProAC ICMS é a modalidade que funciona por meio de patrocínios incentivados e renúncia fiscal.

Apesar da atualização do regulamento do Proac ICMS, as questões relacionadas à Lei e Decreto não foram alteradas. Destacam-se as questões referentes à prestação de contas que, agora, seguem de maneira diferenciada de acordo com o porte do projeto e introdução da possibilidade da medida compensatória. Neste processo de consolidação e modernização dos processos foi realizada uma consulta pública para que a sociedade fosse ouvida.

“Buscamos caminhar juntos com os fazedores da cultura. Antes, existiam muitas instruções normativas do Proac ICMS, agora, está tudo unificado em um único lugar. Ouvimos o setor, através de uma consulta pública, para que possamos ser mais efetivos, propondo mudanças que possam realmente facilitar e desburocratizar os processos, para fomentar cada vez mais a cadeia da indústria criativa no Estado”, afirmou Marília Marton, Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

Quais são as atualizações?

Em termos práticos, a nova resolução substituirá algumas resoluções, especialmente, a Nº96 de 2011 e alterações posteriores, bem como as portarias e instruções normativas que regiam o Programa. As melhorias estão evidenciadas, principalmente, na Prestação de Contas e nas Medidas Compensatórias.

Prestação de Contas

Como será?
Em 2024, a prestação de contas será de acordo com o porte do projeto. Ao proponente, será solicitado um conjunto de documentos diferentes para cada grupo de projetos divididos assim:

I – Pequeno porte (até R$ 250 mil);

II – Médio porte (valor entre R$ 250 e R$ 750 mil);

III – Grande porte (valor superior a R$ 750 mil).

Além disso, a Secretaria irá disponibilizar um Manual de Prestação de Contas, para auxiliar os proponentes.

Como era antes?
A prestação de contas era única, independentemente do porte do projeto, ou seja, para qualquer valor era pedido o mesmo conjunto de documentos para comprovação.

Medidas Compensatórias

Como será?
Esta medida é totalmente nova. Nos casos de reprovação da prestação de contas, o proponente terá a opção de apresentar propostas de ações compensatórias para substituição da devolução do valor a ser restituído aos cofres públicos.

Como era antes?
Se a prestação de contas fosse reprovada, parcial ou integralmente, o proponente deveria fazer a restituição ao Fundo Estadual de Cultura. Até então, não existia a possibilidade de pagar a dívida em ação compensatória.

Sobre o ProAC ICMS

O ProAC ICMS é a modalidade do programa de fomento paulista que funciona por meio de patrocínios incentivados e renúncia fiscal. Para ter acesso aos recursos disponíveis, os artistas, grupos ou produtores devem submeter seus projetos à análise de uma comissão especializada, que avalia requisitos como relevância artística e adequação da proposta orçamentária.

Com o projeto aprovado, o proponente pode solicitar patrocínio a empresas sediadas em São Paulo. Estas, por sua vez, podem apoiar os projetos culturais com parte do valor do ICMS devido, como forma de estímulo ao patrocínio. Qualquer empresa pode ser patrocinadora via ProAC ICMS, bastando ser contribuinte deste imposto e estar em dia com suas obrigações fiscais.


Teatro dos Correios privilegiará produção cultural negra do país

Espaço, que homenageia a atriz Léa Garcia, será reaberto quinta-feira

A Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro reabre nesta quinta-feira (11), para convidados, e nos dias 13, 20, 21, 27 e 28 de janeiro, para o público em geral, o Teatro dos Correios, agora com novo nome: Teatro Correios Léa Garcia, em homenagem à atriz falecida no ano passado. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) e podem ser adquiridos na plataforma Imply e na bilheteria física do equipamento.

A peça escolhida para marcar a nova fase do teatro é Macacos, com texto, direção e atuação do vencedor do Prêmio Shell, Clayton Nascimento. A classificação é para maiores de 12 anos.

A reabertura do teatro é resultado de parceria entre os Correios e a prefeitura do Rio. Em entrevista nesta terça-feira (9) à Agência Brasil, o secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Marcelo Calero, informou que o acordo fechado com o Correios prevê que a secretaria assuma a gestão do teatro por um ano.

O equipamento estava fechado desde 2018 e, por essa razão, precisava de reformas, especialmente na na parte cenotécnica e na questão de instalação de ar-condicionado. “A prefeitura arcou com essas melhorias, e nós assumimos a gestão do teatro por um ano. Significa que vamos cuidar tanto da curadoria como da parte de operação”, disse o secretário.

Operação

Segundo Calero, o convênio poderá ser renovado. “A gente fez primeiro para este ano, para entender realmente como funcionaria a operação. Para nós, foi importante, porque significava a reabertura de um teatro na cidade. Em segundo lugar, [por ser] em uma região que é objeto de uma série de políticas públicas por parte da prefeitura para seu reavivamento, sua requalificação, que é o Reviver Centro. Em terceiro lugar, e não menos importante, a conexão que fizemos com uma figura histórica, magistral, icônica, que é a Léa Garcia."

A partir disso, toda uma linha curatorial que permita trazer a esse teatro peças que reflitam a produção cultural negra no Rio de Janeiro, do teatro negro, de temáticas relacionadas ao combate ao racismo, que é uma das diretrizes de trabalho na Secretaria de Cultura, acrescentou Calero. "O Muhcab [Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira] está aqui sob nossa gestão.”

As peças que forem encenadas no Teatro Correios Léa Garcia terão, preferencialmente, essa temática correlacionada, assim como o trabalho de grupos que não necessariamente tenham a mesma linha, mas que reflitam o momento de produção dos subúrbios do Rio e de grupos minorizados. “A preocupação nesse teatro é dar visibilidade, voz e palco a grupos que tenham dificuldades de inserção no grande circuito carioca e no circuito nacional do teatro. A curadoria vai no sentido de privilegiar esses grupos, essas peças e essa temática”, disse Marcelo Calero.

Com 185 lugares, o teatro não tem fosso para orquestra. “O espaço tem limitação de ordem cênica, mas, ao mesmo tempo, permite encenações não necessariamente de teatro, podendo ser de outras expressões artísticas, como a dança”, informou o secretário.

História

O teatro foi inaugurado junto com o Centro Cultural Correios, em 1994. Por ali passaram peças que atraíram grande público, como A Casa dos Budas Ditosos, com Fernanda Torres, e Beija Minha Lápide, com Marco Nanini. O imóvel data de 1922, tem estilo arquitetônico eclético e foi construído para sediar uma escola da Companhia Lloyd Brasileiro. Isso, porém, não ocorreu, e o prédio foi usado, por mais de 50 anos, para funcionamento de unidades administrativas e operacionais do Correios.
Na década de 1980, o imóvel foi desativado para reformas.  Em 2 de junho de 1992, parcialmente restaurado, foi reaberto para receber a Exposição Ecológica 92, evento integrante do calendário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Rio 92).

Segundo o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, o imóvel continua sendo da empresa, mas a conservação e o uso serão da secretaria. “O instrumento que assinamos vale por um ano, ou seja, até dezembro de 2024, e pode ser renovado”, informou Santos. Ele disse à Agência Brasil que parcerias desse tipo, relacionadas à cultura, estão sendo feitas em outros imóveis da estatal.relacionados à cultura, em todo o país.
“Estamos trabalhando para recuperar a empresa, que foi sucateada no governo anterior com vistas à privatização. Nessa lógica privatista, investimentos em publicidade e em patrocínios culturais e esportivos haviam sido cortados. Nossa gestão está retomando essas ações, dentro de um projeto estratégico de inclusão, que é o papel de uma empresa pública, como os Correios”, destacou.
Segundo Santos, um exemplo é o projeto de reestruturação da carteira de imóveis da empresa, iniciado no ano passado. “Imóveis históricos, como o do Rio de Janeiro, que haviam sido abandonados pela gestão anterior, agora serão destinados para o benefício das brasileiras e dos brasileiros. Também estamos negociando a cessão de nosso prédio histórico em São Paulo para a prefeitura, para abrigar uma central de serviços. E, no Rio Grande do Sul, nosso espaço está cedido para a Secretaria de Estado da Cultura. Assim, estamos cumprindo nossa missão como agentes do governo federal no fomento à cultura”, concluiu.

Homenageada

Atriz brasileira internacionalmente conhecida e com papel essencial para a inclusão dos negros na arte brasileira, Léa Lucas Garcia de Aguiar (1933-2023) foi indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes, na França, em 1957, por sua atuação no longa Orfeu Negro, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.

Léa Garcia também fez história no teatro e na televisão. A atriz foi uma das precursoras do processo de inclusão do negro nos palcos brasileiros, nos quais atuou já na década de 1950 como parte do coletivo Teatro Experimental do Negro. O Teatro Correios Léa Garcia está localizado na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no centro do Rio.

Edição: Nádia Franco


Alquimia das Lapinhas em Torixoréu-MT

Lapa é grande pedra ou laje que, ressaltando de um rochedo, forma abrigo, cavidade em rochedo; gruta, ensina Houaiss, e sabemos que lapinha é uma pequena lapa. No regionalismo nordestino é presépio ou nicho que se arma para a festa de Natal e Reis. No folclore é a representação dramática que celebra o nascimento de Jesus, feita diante dos presépios ou em palcos na praça pública, antiga prática dos pastores da Idade Média. Daí vem o pastoril, que acrescentou cantos e danças, nem sempre relacionados ao tema natalino.


Em Torixoréu, a cidade brilhante, fundada por nortistas, nordestinos e mineiros; aqui recriam as lapinhas ao narrar histórias natalinas e visita dos três Reis Magos ao menino Jesus. As lapinhas como expressão artística de fé é devoção faz parte da memória afetiva destas famílias radicadas ao leste de Mato Grosso.


Elementos do cotidiano agrícola e doméstico, como o tear que fabricava as redes e mantas, a bica d'água tocando monjolo, socando o arroz e milho, o carro de boi, meio de transporte no desenvolvimento da região, estão presentes nas Lapinhas torixorinas.


As gramíneas, que ornamentam a cena natalina, eram substituídas por mudas de arroz em pequenas latas de extrato de tomate. Os animais também se adaptaram à realidade do cerrado. Além das vacas, cabras, galinhas, vieram os pássaros, veados, tatus, emas, casas abandonadas de marimbondos e de João de barro e ninhos de passarinhos. Neste cenário natalino, com elementos da fauna e flora do vale do rio Araguaia integravam o nascimento e vida de Jesus que se desenha na lapinha.


Bercholinha de Sá, 101 anos, herdou da sogra a tradição de montar a lapinha, pois ao se casar manteve o costume de montar lapinha e lá se vão 77 anos sem interrupção. Atualmente suas filhas montam a lapinha no início de dezembro e desmontam em seis de janeiro, no dia do Santo Reis. A filha Josefa de Sá Coelho destaca que a lapinha trás imagens de mulheres fiandeiras e rendeiras, em homenagem à família materna, pois as ancestrais femininas fiavam algodão e faziam novelos de linha; além dos passarinhos de barro, pois, elas também produziam objetos de cerâmica.


A Lapinha feita na casa da D. Maria Abadia de Jesus Reis, (Dona Badia) 86 anos, traz elementos regionais: rio Araguaia, uma canoa e a Pedra da Baliza, um importante ponto turístico da região. Usando areia, pedra e toco de árvore, a moringa (de cerâmica, para água fresca do consumo) e o chapéu de couro, da cultura nordestina, um amalgama do coração cristão, onde todos são bem vindos.


Marcia Helena, filha de D. Badia, é a responsável pela produção da lapinha e explica que: "O presépio é uma recordação material do nascimento Jesus que é o foco principal do natal, vale lembrar que neste presépio em especial temos as passagens que compõem o nascimento de Jesus, que é a anunciação do anjo à virgem Maria, a visitação de Maria a Isabel, a fuga de Maria e José com a criança para o Egito, a apresentação do menino Jesus no templo. O presépio é uma tradição religiosa, visando a evangelização”.


Eudetes Souza e Silva Netta, 70 anos, vinha da Baliza-GO, todos os dias vender frutas e verduras Torixoréu, e admirava a lapinha de Rauleliana Costa Matos, (D. Rolinha). E lembra que: “Era uma lapinha muito bem organizada, eu achava muito bonita e gostava de ver, tudo quanto era tipo de animal tinha lá. A gente perdia as vistas de tanto olhar, do quanto era bonita a lapinha, linda demais!! A lapinha era grande. Tinha bichinhos, uns macaquinhos pendurados, tudo quanto animal selvagem tinha lá na lapinha era muito bonita."


Voltando no tempo lembra:"Tinha Jabuti, elefante, girafa, coelho, e um macaco dependurado num elástico numa árvore. Tinha pato, curica, papagaio, tudo isso tinha, o que você pensar de bicho, tinha: veadinho, tatu, e outros que a gente não a lembra mais. Hoje ninguém faz lapinha igual D. Rolinha, ela era muito caprichosa, fazia todas as coisas com carinho, muita dedicação e amor."


José de Arimatéia, 76 anos, sobrinho de D. Bechó, também guarda lembrança da lapinha de D. Rolinha:“lá tinha cadeia e igreja de papelão, um padre de batina, de pé na porta da igreja e uma freira; junto aos soldadinhos armados ia um homem pretinho na frente, amarrado no cordãozinho, que era a corrente, atrás ia uns três soldados carregando o fuzil nas costas.

Tinha muitos bichos: tatu, onça de barro, galinha, boi, vaca, ovelha, parece que tinha bode também, tinha muita coisa, monjolo de buriti. Os patinhos de louça colocava em cima do espelho. Tinha bonecas de pano grandona com brinco e pulseirinha no braço, pequena, de todo tamanho e das que compra na loja também. Tinha aviãozinho amarrado no cordãozinho dependurado na lapinha; o carro de boi tinha a tabinha, a mesa, os cuerrinhos em redor do carro, tinha os pregos, um homem montado no cavalo com o ferrão nas costas, e outro ia de pé na frente. A lapinha de dona Rolinha era a mais bonita e organizada que tinha aqui, era grande a lapinha. A sala dela era grande só ficava o corredozinho no meio de passar, a lapinha tomava conta quase da sala toda.”


Eugeni Rocha, 76 anos, moradora de Torixoreu-MT, rememora que : "Dona Rolinha fazia a lapinha no canto da sala, punha um galho de árvore grande, dai cobria ele com papel, muitas vezes respingava tinta e ali dependurava anjos e santos, colocava os passarinhos imitando uns chocando, outros com os filhotes pequenos acompanhando os grandes.


Ela moldava vários papéis no canto da parede para construir uma gruta. Ela pegava aquelas cascas, no mato dá aqueles cascão bonito nos paus, ela rancava e pregava naquele papel. Concluía enfeitando o chão da sala com pedras, areia. Criava vários ambientes como um rego com água, tinha a bica, o monjolo socando arroz no pilão, carro de boi". Eugeni conclui suas lembranças: "Só dona Rolinha fazia lapinha com tudo isso, os outros aqui Torixoréu, só colocavam a manjedoura com menino Jesus, Maria, José e os Reis Magos. Todo mundo ficava encantado com a Lapinha de dona Rolinha, e iam lá visitar e ficavam admirando. Ela tinha um amor por aquela enfeitação, tinha alegria de fazer aquilo. A gente todo dia queria ir lá vê, eu era encantada com a lapinha ”.


Dona Ilda Sinfrônio, 77 anos, vizinha de Dona Rolinha, relata que na adolescência ajudou na confecção da lapinha: "Iamos com uma turma de moçada no mato, catar casca de pau. Depois dona Rolinha colocava um arvoredo seco no canto da sala e com aqueles papéis de embrulho e papelão pintado mesclado, ela ia moldando as montanhas, com um mingau a gente ia pregando aquelas cascas, ficava igualzinho as montanhas. Daí ela montava o presépio, forrava o chão com areia branquinha em seguida colocava os arranjos do presépio. Nos quatros cantos colocava uma boneca grande como se fosse uma rainha e princesa.


Joana D'Arc, 51 anos, lembra vivências de infância na lapinha de D Rolinha: "Natal época mágica do ano, reunião com família e amigos, presentes, novidades, pertencimento, saberes e fazeres comunitários e tradicionais. O cheiro, cores, movimentos, os sons... Era a materialização de mundos para além dos rios Araguaia e Capim Branco. Me impressiona, altruísmo em abrir sua casa exibindo coisas simples, representando o VIVER em seus ciclos in-finitos. Assim, como as minuciosas e perfeitas replicas de engenhos de farinha, açúcar que funcionavam em movimentos inebriantes. Mais emocionante que um XBOX, me perdia sonhos, me forjando naqueles portais fragmentos. Fábrica de sonhos e mundos possíveis, idealizada, montada, executada por uma mulher com nome de pássaro, me sentia uma torixorina... a lá Cortázar "


Florisa Gomes Silva 72 anos, fala com emoção sobre a lapinha da sua mãe Dona Isabel Alves Gomes: "eu andei fazendo muita lapinha junto com minha mãezinha, nós fazia era tão bom, tinha aqueles poucos enfeitinhos, mas a gente pegava areia, fazia assim no chão (cenários geográficos, matos, cerrado, vales e rios) aquelas coisas de capim, para insinuar o local onde nasceu o menino Jesus, fazia os morros de papel, fazia as bonecas de pano, tudo enfeitado com plantas, pra nós era muito bom. Era a maior benção de Deus".


Florisa rememora a lapinha de dona Rolinha e o que mais chamava sua atenção: " A gente entrava lá, tinha tanta coisa bonita, ela fazia tipo aqueles morros de papel, era a coisa mais linda, muito bem enfeitado, tinha tanta boneca de pano, tanto bichinhos, carneirinho, carrinho de bois essas coisas assim. Você precisa ver que coisa mais maravilhosa, ela fazia era grande mesmo, a gente ficava era hora ali, ela fazia as bonecas de mãos dadas, fazia umas assim de rodinha batendo palma, ela era muito caprichosa. Em volta assim pra não pisarem no presépio, ela enchia tudo de planta, muita das vezes plantava arroz nas vasilhas pequenas, quando estava assim com um palmo de altura ela rodeava ali tudo. Era arroz, era folha de coco, você precisa ver era a coisa mais linda do mundo, eu adorava ir ver a lapinha da Rolinha. Era tantas bonecas, reis magos, assim era insinuação dos reis magos, menino Jesus, o que eu achava mais lindo, mais lindo na lapinha que ela fazia era aqueles morro de papel, como se enchesse assim, fazia aqueles morro parecia pedra mesmo, coisa encantadora, era muito cheia de presépio, era linda. Ela tinha um prazer, quando a gente chegava lá pra ver, pra visitar a lapinha, a gente ficava era hora lá."


As tecnologias usadas por essas mulheres pra confeccionar os personagens, os cenários das lapinhas eram os mais diversos e múltiplos exigindo domínios de saberes e processos criativos, como: fabricar os personagens, costurar os vestuários, produzir objetos de cerâmica ou de palhas, esculpir os animais e demais ferramentas em buriti. Eram verdadeiras artistas criando, recriando, adaptando, combinado materiais, cores, formas estéticas e plásticas.


Performavam no mundo da criatividade, da inventividade, da sensibilidade, da imaginação, interligando elementos concretos e abstrações, conteúdos locais e globais. Trabalham as emoções, os sentidos e a cultura. Eram verdadeiras mestras. Reverenciamo-las, valorizáramo-las. Enfim eram guardiãs de uma cultura que ultrapassa sua geração e permanece viva no coração dos que puderam apreciar esta manifestação cultural tão própria de nossa região.


Fomento à Cultura

 Ampliação de editais e investimento de R$ 35,5 milhões incentivam produções culturais em MT

O lançamento de editais tem sido uma das principais políticas públicas de desenvolvimento social e fomento ao setor cultural em Mato Grosso, com crescentes investimentos do Governo do Estado ao longo dos anos para levar cultura à população.


Em 2023 foram investidos R$ 35,5 milhões em recursos próprios e federais para o lançamento de 14 seleções públicas pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O volume de recursos mais que dobrou, considerando o ano de 2022, com valores de R$ 14 milhões para três editais.

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“A democratização e o acesso à cultura são direitos básicos da população, e o Governo de Mato Grosso assume esses princípios como prioridade. Por meio dos editais, há o fomento de toda cadeia produtiva da cultura, alcançando tanto os trabalhadores como a sociedade através das ações e serviços culturais oferecidos”, destaca o secretário titular da Secel, Jefferson Neves.


O setor cultural ganhou força com a Lei Paulo Gustavo neste ano, e o Governo de Mato Grosso esteve alinhado à política nacional, garantindo os recursos de R$ 35,1 milhões para o Estado. Com isso, por meio da Secel, lançou 13 seleções públicas das 14 previstas para 2023. Ao todo, serão mais de 300 projetos culturais executados nos próximos anos dentro dos setores do audiovisual, patrimônio histórico e museus, expressões artísticas, identidade, economia criativa e literatura.


Outra seleção pública lançada em 2023 foi o Move_MT, programa de aceleração de negócios criativos, inovação e impacto social. Esta segunda edição do edital contou com recursos de R$ 415 mil previstos para premiação das iniciativas mais bem avaliadas após o ciclo de aceleração, que dura seis meses.


Além do recurso financeiro, os empreendedores são convidados a realizar um intercâmbio no Lab Oi Futuro, no Rio de Janeiro, onde fazem uma imersão no ecossistema da economia criativa da cidade. Neste ano, 20 empreendedores foram selecionados para participar do programa, que inclui capacitação e mentorias em gestão, inovação, impacto social, criatividade e comunicação.

Divulgação


Além dos R$ 35,5 milhões em lançamento de editais, a Secel também destinou outros R$ 13,2 milhões para execução de projetos selecionados em editais de 2022 (Viver Cultura, Pontos de Cultura e Estevão de Mendonça de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-Grossense) e 2021 (MT Preservar e Movimentar).
Outro dado que demonstra a importância dos editais para o desenvolvimento social é a ampliação do acesso aos recursos pelos grupos considerados minoritários. Dados da Secel apresentados durante o 1º Fórum Internacional: Cultura, Sustentabilidade e Cidadania Climática, neste ano, em Belém (PA), atestam os impactos sociais das políticas afirmativas adotadas pelo Governo de Mato Grosso.
Hoje, 54% dos beneficiados nas seleções públicas são mulheres. Entre os 46% dos homens atendidos, 64,5% são negros. Até 2019, antes da reformulação realizada pela atual gestão do Estado, 70% dos beneficiados eram homens brancos. 
“Estamos fazendo realmente um trabalho de equidade tão desafiador como qualquer outro. Antes da começarmos essa política mais afirmativa, os critérios desqualificavam e desequilibravam os processos de concorrência. Ainda temos muitos desafios, mas trabalhamos para melhorar e já estamos orgulhosos dos resultados e dos caminhos que a gente tem trilhado”, destaca o secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura.

Potências Negras, projeto do Move_MT
Créditos: Pedro Ivo


Projetos executados em 2023
Projetos de literatura, patrimônio histórico, audiovisual, economia criativa e expressões artísticas (música, teatro, dança, circo, artes visuais e artesanato), vivências culturais, ações de formação, festivais, mostras, exposições e outros foram executados em 2023 por meio dos editais da Secel. As iniciativas alcançaram diferentes públicos e comunidades mato-grossenses.
No ano, em destaque estiveram a execução de projetos selecionados nos editais Viver Cultura, Pontos de Cultura, MT Criativo, Jogos Eletrônicos, Audiovisual, Estevão de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-Grossense, MT Preservar e Movimentar Cultura, lançados nos anos de 2022 e 2021.
O Edital Viver Cultura contou com investimentos para impulsionar variados segmentos culturais em todo o Estado, selecionando 266 projetos nas categorias de criação e desenvolvimento de experiências artístico-culturais, ações formativas, práticas e vivências culturais, e circulação, mostras e festivais.

Divulgação


Outra seleção pública que permitiu a ampliação do acesso à cultura foi o Edital Pontos de Cultura, que selecionou 38 projetos de espaços reconhecidos como Pontos de Cultura. Assim, os recursos foram investidos para manutenção e fomento de atividades culturais continuadas desenvolvidas por instituições do terceiro setor.
A cadeia da economia criativa também foi impulsionada com projetos dos editais MT Criativo, Audiovisual e Jogos Eletrônicos.
O Edital MT Criativo, também chamado de starter por conceituar a arrancada e o impulsionamento de empreendedores, abrange o setor de economia criativa como um todo, incluindo os segmentos mundo das artes, negócios digitais e criações funcionais. Foram selecionados 40 projetos como loja colaborativa, clube de livro, turismo rural, ambiente virtual de aprendizagem e outros.
O Edital Jogos Eletrônicos, ou Gaming Up, selecionou 10 projetos de desenvolvimento e produção de jogos eletrônicos com temas livres e educacionais, com o objetivo de incentivar e promover a indústria local de jogos eletrônicos.

O Edital do Audiovisual fomentou a produção de 34 projetos, divididos nas categorias videoclipe, videodança, videoarte e obras de curta-metragem nos formatos de ficção, documentário e animação.

Ahmad Jarrah



Por meio do Edital Estevão de Mendonça de Incentivo à Literatura Mato-Grossense, foram selecionados 67 projetos nas categorias publicação de obras literárias, fomento à leitura e fomento à criação (para novos escritores).

Voltado à proteção do patrimônio histórico e cultural mato-grossense, o Edital MT Preservar contemplou imóveis tombados pertencentes a pessoas físicas, organizações sociais e prefeituras mato-grossenses. As edificações atendidas abrangem comércios, residências, igrejas e locais institucionais, como museu e espaços culturais. Os recursos foram destinados à recuperação de fachadas e coberturas, além de adequação para acessibilidade e instalações elétricas, hidrossanitárias e de prevenção contra incêndio. 

O Edital Movimentar foi lançado para reduzir o impacto econômico da pandemia no setor cultural e selecionou 300 projetos voltados à promoção de atividades culturais. Entre os segmentos contemplados estão teatro, dança, circo, literatura, biblioteca, música, audiovisual, artes visuais, artesanato, povos e comunidades tradicionais, culturas LGBTQIA+, urbanas e negras e de matriz africana, patrimônio histórico, produção cultural, áreas técnicas e backstage, e economia criativa.

Lei Aldir Blanc e Lei Paulo Gustavo para 2024

Para 2024, os investimentos em editais continuarão com a política de fortalecimento e ampliação do acesso à cultura, havendo um incremento de R$ 20,82 milhões provenientes da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Além de seleções públicas, os recursos também podem ser usados em chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural.

Ju Queiroz

 


Primeira-dama de MT prestigia e destaca respeito à cultura no 15º Festival de Siriri e Cururu em Cuiabá

“Tenho muito respeito pela dedicação dessas pessoas que fazem questão de preservar a nossa cultura e a nossa história", disse Virginia Mendes

O final de semana na capital foi embalado pelo 15º Festival de Siriri e Cururu no Ginásio Aecim Tocantins, em Cuiabá. A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, madrinha do grupo Flor Ribeirinha, participou da abertura. O evento tradicional conta com o apoio e incentivo do Governo do Estado.

Com recursos do Governo de MT Festival de Siriri e Cururu é realizado neste fim de semana em Cuiabá
Créditos: Michel Alvim - SECOM / MT


Virginia Mendes destacou a importância de fortalecer a cultura típica da região do Pantanal para preservar as origens. "Sou uma admiradora nata da cultura da nossa região, a energia que a música e as danças trazem mexem com a gente, é algo motivador. Tenho muito respeito pela dedicação dessas pessoas que fazem questão de preservar a nossa cultura e a nossa história".
"Com certeza, no próximo ano, teremos um festival maravilhoso", ratificou Virginia Mendes.
Com investimento de R$ 700 mil do Estado, o evento iniciou na sexta-feira (15.12) e encerrou nesse domingo (17.12).
O secretário-chefe da Casa Civil, Fabio Garcia, afirmou o orgulho de incentivar o evento. “É uma honra para o Governo de Mato Grosso apoiar uma cultura tão tradicional e importante para a nossa região. A primeira-dama Virginia Mendes pediu que o Governo apoie o próximo evento, e já está garantido o 16º Festival de Siriri e Cururu".

Com recursos do Governo de MT Festival de Siriri e Cururu é realizado neste fim de semana em Cuiabá
Créditos: Michel Alvim - SECOM / MT


A fundadora do grupo Flor Ribeirinha, dona Domingas, abençoou a primeira-dama e o governador por acreditarem no projeto cultural. "Peço bençãos a Deus pela vida da nossa madrinha, primeira-dama Virginia Mendes, e ao nosso governador Mauro Mendes, que acreditaram no potencial dos grupos e da Associação Nandaia".
Jean Moura, secretário adjunto de Cultura do Estado, exaltou a oportunidade dada à população de conhecer um pouco mais da cultura durante o evento. "Nós vivemos neste festival uma experiência muito positiva, em que os grupos de Siriri e Cururu construíram sua própria festa. É uma forma que a gente consegue desenvolver profissionalmente esses grupos", pontuou. 

Com recursos do Governo de MT Festival de Siriri e Cururu é realizado neste fim de semana em Cuiabá
Créditos: Michel Alvim - SECOM / MT


As apresentações contaram com 12 grupos formados em quintais tradicionais com ritmos que embalam a cultura e a vida de um povo.
Nos três dias de eventos, o público conferiu as apresentações do Grupo de Cururu Tradição Cuiabana do Coxipó: Grupos de Siriri: Voa Tuiuiu, São Gonçalo Beira Rio, Flor Serrana, Estrela Guia, Vitória Régia do Pantanal, Raízes Cuiabanas, Flor do Campo, Flor de Atalaia, Coração Tradição Franciscano, Siriri Elétrico, além do Flor Ribeirinha.


Apresentação de encerramento do Projeto Cuiabá Sonoro executado em 2023 será nesta segunda (11)

A apresentação de encerramento das atividades do Projeto Cuiabá Sonoro, desenvolvido pela Prefeitura de Cuiabá por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, acontece nesta segunda-feira (11), a partir das 17h30, no saguão da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer. A entrada é gratuita. O público terá a oportunidade de apreciar uma variedade de estilos musicais, desde clássicos atemporais até composições contemporâneas, todos executados com maestria pelos jovens músicos. O violão, com sua versatilidade e harmonias envolventes, será um dos protagonistas da noite, enquanto os instrumentos de sopro, com destaque para o saxofone, agregarão uma dimensão especial à performance.

Com aulas totalmente gratuitas, basta ter mais de 10 anos e muita vontade de aprender para se inscrever. 'O Projeto Cuiabá Sonoro não apenas capacitou os alunos musicalmente, mas também deixou uma marca duradoura na comunidade, incentivando a apreciação pela música e promovendo um ambiente enriquecedor para o crescimento artístico. Este evento de encerramento não é apenas uma despedida, mas um convite para a comunidade compartilhar e celebrar as conquistas alcançadas por esses jovens talentosos', disse a coordenadora do projeto, Karol Bataioli.

O Projeto Cuiabá Sonoro começou no início deste ano com turmas de violão. Em junho, ampliou com vagas para outros instrumentos como violoncelo, flauta doce e flauta transversal, saxofone, clarinete, trompete e trombone. 'A música tem o poder de unir, inspirar e transformar, e esta apresentação certamente será uma prova viva desse impacto positivo', declarou. Atualmente, possui vários professores envolvidos na ministração dos cursos, todos com formação em música. É uma ação da gestão municipal, através da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, que oferece os cursos gratuitamente para idades acima de 10 anos.

'Não perca a oportunidade de vivenciar uma noite repleta de música e emoção, enquanto os alunos do Projeto Cuiabá Sonoro encantam a todos com sua habilidade musical única', convidou o secretário-adjunto de Cultura, Justino Astrevo.


Oficinas Culturais de SP têm programação inédita em dezembro

Espetáculos de teatro, performances de dança, lançamento literário e uma exposição imperdível fazem parte da agenda gratuita

As Oficinas Culturais Oswald de Andrade e Alfredo Volpi, integrantes do Programa da Secretaria da  Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerenciadas pela Poiesis, anunciam uma programação com atividades que abrangem diversas expressões artísticas em dezembro.

Para fechar o ano de 2023, o público encontrará diversas atrações, entre elas, performances de dança, lançamento de livro para o público infantil e uma exposição. A programação é gratuita e você pode conferir todos os detalhes, logo abaixo.

Oficina Cultural Oswald de Andrade

A peça Anjo Ferido, escrita pela escritora e dramaturga Sara Stridsberg, estreou no Teatro Nacional da Suécia em 2022, conquistando a crítica e o público com sua abordagem poética e intensa. No dia 9 de dezembro, às 15h, ocorre uma leitura dramática dando a oportunidade de vivenciar a complexa relação entre um pai e sua filha mais velha, sob a perspectiva da criança. Após a leitura dramática, o público é convidado a participar de um debate com Rita Grillo, da equipe técnica, os atores Renato Caldas e Nicole Cordery e a diretora Marcela Horta. A abordagem será sobre os detalhes da produção, das escolhas artísticas e a troca de experiências sobre as emoções despertadas pela peça.

De 11 a 18 de dezembro, às segundas e terças-feiras, às 19h, e sábados às 18h, a Oficina recebe o espetáculo Consentimento, uma obra teatral que mergulha na complexidade das relações humanas, destacando a vida de casais amigos, em sua maioria advogados e promotores. Sob a direção de Hugo Possolo e Camila Turim, a peça se distribui entre festa, encontros e audiências, revelando que não há distinção clara entre as vidas públicas e privadas desses personagens. Os ingressos são distribuídos uma hora antes da apresentação.

Ainda na Oficina Cultural Oswald de Andrade, localizada no bairro Bom Retiro, próximo ao metrô Tiradentes, ocorre a exibição do documentário Me filma, uma obra audiovisual que mergulha na diversidade e riqueza humana do centro de São Paulo, capturando a complexidade e a beleza do Brasil por meio do olhar e da voz de seus habitantes. Com um set de filmagem no Vale do Anhangabaú, as pessoas foram convidadas a participar dessa produção audiovisual e a escrever  o  próprio roteiro, colocando-se como autores e atores das próprias histórias pessoais.

As sessões serão nos dias 14 a 16 de dezembro, quinta e sexta-feira, às 15h, 17h e 19h, e no sábado, às 14h, 16h e 18h. Após cada exibição, o diretor e roteirista Victor Ribeiro estará presente para uma conversa sobre a criação do documentário.

Oficina Cultural Alfredo Volpi 

A vivência Porque eu quero dançar é uma experiência mediada pelas dançarinas Anelise Mayumi e Adriana Nogueira, e criada para despertar o movimento daqueles que querem se expressar através da dança. A atividade acontece no dia 9 de dezembro, sábado, das 10h às 13h, e inclui a apresentação do trabalho “Pele: uma dança das profundezas”, dirigido por Anelise e interpretado por Adriana. Os participantes serão convidados à dança, seguirão pela prática orientada e, por fim, a avaliação do trabalho em processo, um bate-papo sobre a obra e todos os aspectos vivenciados.

A unidade Alfredo Volpi recebe também no dia 9 de dezembro o lançamento do livro infantil “O tesouro de Amina”, de Flávia Oyátumbi. O foco será nas crianças e adultos que poderão explorar tesouros ancestrais acessíveis àqueles que se aproximam dos antepassados com amor. O evento começa com um mini sarau para compartilhamento dos tesouros ancestrais que enriqueceram a identidade negra de poetas, amigos e educadores convidados. Em seguida, a autora fará uma sessão de autógrafos ambientada pela setlist do DJ Ozi e finaliza com uma surpresa especial.

Até o dia 30, a exposição “Jurema: pote sagrado – força ancestral” oferece uma imersão nas diversas vertentes das religiões e ritos de matriz afro-brasileira e afro-ameríndia, como Ketu, Angola, Jeje Narin, Jurema e Umbanda. As visitas podem ser feitas de terça a quinta-feira, das 10h às 21h30, e sextas e sábados, das 10h às 18h.

Constituídos por barro e ervas colhidas da natureza, os potes de Abô são o cerne da mostra e são considerados fundamentais para os rituais dentro de uma casa de Asè. A artista e curadora desta exposição, Isabel Azevedo, mais conhecida como Ejedy Obaluangê ou mãe Bel, é fundadora da marca Bellartess, costureira, artesã e figurinista. Entre os destaques, Isabel aponta o  Pote de Okutà, pedra considerada o coração do orixá, sagrada e geralmente colhida em cachoeiras.

Para conhecer a agenda completa dessas unidades, acesse o site do programa Oficinas Culturais.


Secel prorroga prazo de inscrições em 12 editais da Lei Paulo Gustavo que vão disponibilizar R$ 26,88 milhões

Inscrições devem ser feitas pelo link disponível no site da Secel

A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) prorrogou para 2 de janeiro de 2024 o prazo de inscrições nos editais da Lei Paulo Gustavo. Ao todo, 12 seleções públicas estão abertas, contemplando R$ 26,88 milhões de investimentos para as áreas do audiovisual, diversidade, patrimônio histórico, museus, literatura e economia criativa.

O investimento nos editais da Lei Paulo Gustavo em Mato Grosso será de R$ 35,1 milhões para mais de 300 projetos culturais, considerando um acréscimo de saldo para o Estado, que ocorreu na redistribuição dos recursos federais. Dos 14 editais previstos, a Secel ainda vai lançar o Licenciamento de Obras e o Cinemotion Sala de Cinema.  

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pela internet, por meio do link disponibilizado no site da Secel.
No país, a perspectiva é que o prazo de execução da Lei Paulo Gustavo seja estendido para dezembro de 2024, tendo em vista o projeto de lei que prorroga o uso dos recursos para melhor atender à realidade dos estados e municípios. O documento já foi aprovado no Senado e aguarda apreciação da Câmara dos Deputados.

Confira a lista dos editais com inscrições abertas:
 
  1. Viver Cultura – Identidades
  2. Viver Cultura - Expressões Artísticas
  3. MT Preservar – Projetos Executivos
  4. MT Museus
  5. Cinemotion –Desenvolvimento de Roteiro
  6. Cinemotion – Formação
  7. Cinemotion - Acervo/Publicação
  8. Cinemotion - Produção Audiovisual
  9. Fomento Audiovisual - Diretor(a) Estreante
  10. Fomento Audiovisual - Documentário Temático
  11. Edital Prêmio Literatura Mato Grosso
  12. Feiras de Economia Criativa e/ou Solidária
     
Todas as informações sobre cronograma, detalhamento do objeto, assim como o formulário online de inscrição, estão disponíveis no site www.secel.mt.gov.br/editais.

Expo Carnaval 2023

A Expo Carnaval Brazil é mais do que uma exposição de carnaval, é um encontro vibrante da cultura brasileira, que promove o desenvolvimento social e econômico do país. 

O vice-presidente da Associação Paulista de Imprensa, Gilvandro Oliveira Filho, restá marcando presença nesse evento, que conta com uma programação diversificada e inspiradora, a EXPO CARNAVAL oferece oportunidades de negócios para empreendedores locais e internacionais, além de proporcionar um espaço para a discussão de questões importantes relacionadas à cultura, à arte e ao turismo.

que por dentro de tudo o que vai rolar nos 3 dias de evento!

Dia 24/11 (Sexta-Feira)

Dia 25/11 (Sábado)

 

10h10 às 11h10 - As cidades e o fortalecimento do Carnaval Brasileiro, com Secretários das cidades: BH - Marah Costa, SSA - Isaac Edington, RIO - Gustavo Mostof, SP - Thiago Lobo, Recife - André Brasileiro. Mediação: Rita Fernandes
11h20 às 12h10 - Mulheres no comando - Força Feminina na construção do Carnaval, com Thais Haliski (SP), Célia Domingues (RJ), Ju Ferraz (Camarote N1), Merina Aragão (SSA). Mediação: Chris Pelajo

 

14h15 às 15h00 - Protagonismo Negro no Carnaval do Brasil, com Alberto Pita, Zebrinha, Silvio Botelho (Bonecos de Olinda). Mediação: Wanda Chase
15h10 às 15h50 - Experiências, Marcas e Produtos do Carnaval, com Gabriel Davi (LIESA), Duda Magalhães (DREAM), Gabriel Simas (TIK TOK). Mediação: Mauricio Magalhães

 

16h20 às 17h - Rede Bahia|Bahia Folia - Décadas de alegria: 30 anos do Bahia Folia, 40 anos de carreira de Daniela Mercury e 50 anos do Ilê Aiye. Mediação: Camila Marinho

 

17h20 às 18h - Destino - Carnaval Brasil, com Margareth Menezes (Ministra da Cultura), Marcelo Freixo (Presidente da Embratur) e Julio Ribas (CEO da VINCI). Mediação: Helô Braga
18h10 às 18h50 - O Poder Transformador da Econômia Criativa, com Carlinhos Brown, Pedro Tourinho (SECULT) e Karina Tavares (CUFA FRANÇA). Mediação: Fernando Guerreiro

 

10h às 10h50 - O Marketing do Futuro do Carnaval, com Silvio Meira e Rosário de Pompeia (Inovação e Tecnologia)
11h às 11h40 - A Potência do Carnaval de Rua pelo Brasil, com Rita Fernandes (RJ), José Cury (SP) e Gustavo Caetano Matos (BH). Mediação: Cezinha
11h50 às 12h30 - Musica do Carnaval - A composição como matriz da folia, com Rafa Chagas (artista e compositor de Zona de Perigo - Musica do Carnaval 2023), Mano Góes (Compositor e Diretor da UBC), Marcio Melo, Magary Lord (ABRAMUS) e Marcelo Nascimento (Gerente executivo de Arrecadação do Ecad). Mediação: Ildazio Junior

 

14h20 às 15h - Processo Criativo de Norte ao Sul do Brasil, com Leandro Vieira (Carnavalesco Imperatriz Leopoldinense), Rossy Amoedo (Caprichoso), Solange Cruz (Mocidade Alegre) e Pedrinho da Rocha (BA). Mediação Milton Cunha
15h10 às 15h50 - Carnaval: Estética dentro das Telas, com Rogério Bruxellas (Rede Bahia) e Zé Ricardo (Rock In Rio). Mediação: Camila Marinho

 

16h10 às 16h50 - Transformação do entretenimento através da tecnologia, com João Kitsis (SYMPLA), Hugo Porto (Cult_app) e Monyca Motta (Direito da Propriedade Intelectual). Mediação: Jeane Cordeiro
17h às 17h40 - ESG: o Carnaval é ainda mais bonito com responsabilidade ambiental, social e ética, com Alexis Pagliarini (ESG), Ronnie (Presidente da RIOTUR) e André Brito (Head e Relações Corporativas da Suzano). Mediação: Eduardo Athayde (WWI)
17h40 às 18h20 - Impactos Econômicos da Indústria do Carnaval, com Eduardo de Sá (CIEB), Heloisa Santana (AMPRO) e Pedro Dornas (Head da Amcham Bahia). Mediação: Carlos Falcão

 

20h - Bailinho de Quinta
21h30 - Carlinhos Brown
23h - Xanddy Harmonia

Dia 26/11 (Domingo)

 

Encontro inédito de todos os Carnavais do Brasil
ATRAÇÕES CULTURAIS:
FLOR DO CAMPO (MG), MOCIDADE ALEGRE (SP), IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE (RIO), BOI CAPRICHOSO (PARINTINS), ORQUESTRA DE FREVO (PE), MALÊ DEBALÊ (BA), CORTEJO AFRO (BA), FILHOS DE GHANDY (BA), PAROANO SAI MIÓ (BA) e muito mais!

Agenda Masterclasses

Dia 24/11 (Sexta-Feira)

Dia 25/11 (Sábado)

 

O que é Trade Dress? O plágio, as referências e os novos desafios da Propriedade Intelectual, com Monyca Motta

 

A importância do associativismo, com Jean Paul (SSA DESTINATION) e A importância indústria de hóteis, com Luciano Lopes (ABIH)

 

Direito autoral no ambiente digital, com Ricardo Rios (ABRAMUS)

 

Mudança vocal de mulheres Trans no Brasil, com Erica Campos

 

Direitos autorais e Carnaval: como a música movimenta a economia criativa, com Roberto Melo (ABRAMUS), Marcelo Nascimento (ECAD) e Márcia Bittencourt (UBC)

 

Estratégias e tendências para o sucesso em experiências ao vivo, com Heloisa Santana, Alexa Cravalho, Albano Neto, Aline Lazar de Sá, Rafael Phoca e Thomas Miranda

 

Relações de trabalho no ramo do entretenimento, com Valton Pessoa

 

Apresentação do GT Carnaval do Ministério da Cultura, com Sandro Santos (Ministério da Cultura), Sandro Avelar (Vice Presidente da FENASAMBA), Célia Domingues (Diretora de capacitação e empreendedorismo da FENASAMBA), Clayton Ferreira (Secretário da Frente Parlamentar em Defesa do Carnaval e da Escola de Samba da Câmara dos Deputados) e três Representantes das escolas de samba da Bahia.

 

O guia da tecnologia para eventos: inovação para o hoje e o amanhã, com Roberto Mameli (SYMPLA)

 

Conectando corações : A folia começa no atendimento, com Manoeli Moraes (SENAC)

 

Entenda como as Economias Circular, Criativa e Tech podem contribuir para alavancar o Caranaval de Salvador, com Vinicius Mariano (Semdec), Camila Araújo (Solos), Trace Brasil e ZigPay

Arena Salvador LAB na ExpoCarnaval

 

11h às 12h - Abertura e Palestra Carnaval Exponencial com Marcelo Dultra
14h às 15h - Painel Investigando futuros para o Carnaval de Salvador da OBEC/Doca1
15h às 16h - Painel Gamificação em Eventos com a Indústria Criativa Cimatec
16h às 18h - Batalha de Pitches - MC Alberto Borges (Grupo Rede+)

 

09h às 10h - Dinâmica com Grupo Rede+
10h às 11h - Palestra sobre Economia Colaborativa e Gestão de Pessoas com Vitor Igdal
11h às 12h - Palestra do Carnaval para o Mundo com Alberto Borges
14h às 15h - Palestra Tecnologia, Inovação e Diversidade e Inclusão com Rafa Mores
15h às 16h - Painel Experiência do Usuário em Games Imersivos com Indústria Criativa Cimatec
16h às 18h - Batalha de Pitches - MC Alberto Borges (Grupo Rede+)

Agenda Cozinha Show

 

14h às 16h - CAIPIRINHA COM MINI ACARAJÉ, com Tahís Campos e Daniel Lázaro Pinheiro de Jesus
16h30 às 18h30 - COQUETEL A BASE DE CACHAÇA E VINHO COM CROSTATA DE TAPIOCA E MIX DE PROTEINAS, com Vini Soares e Jadson Silva

 

14h às 16h - DRINQUE PIPOCO COM BOLINHO DE FEIJOADA, com Jamile Cerqueira e Francisco Filho
16h30 às 18h30 - COQUETEL BELLINE COM COXINHA DE CARNE SECA COM BANANA DA TERRA, com Íris Torres e Jadson Silva


Governos de SP e da França fazem intercâmbio musical

Iniciativa representou mais um passo significativo na partilha de experiências sobre o acesso à cultura por meio da prática musical

No início deste ano, representantes do Guri – programa do Governo do Estado de São Paulo gerido pela Santa Marcelina Cultura, por meio de contrato de gestão celebrado com a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo – realizaram uma visita à França para conhecer de perto o processo de aprendizagem musical local e concretizar a parceria com o Démos, programa coordenado pela Cité de la musique – Philharmonie de Paris.

No mês de novembro, o Guri recebeu os profissionais franceses em terras brasileiras, em um intercâmbio que visou estreitar ainda mais os laços entre as duas iniciativas.

Démos, que teve início em 2010, é um programa de democratização cultural que engloba desde o despertar musical para crianças pequenas até a prática da música tradicional, contemporânea e atual para todos os públicos.

O primeiro representante a desembarcar no Brasil foi Gilles Delebarre, diretor do Démos na Filarmónica de Paris. Delebarre é especialista na difusão da música tradicional, com foco no gamelão javanês, e possui sólida formação acadêmica nas áreas de educação musical e etnomusicologia.

Durante a visita, de 5 a 9 de novembro, o diretor esteve em São Paulo participando de uma série de atividades com o Guri, que incluem uma visita guiada pela Emesp Tom Jobim, ensaio da ópera “Os Conspiradores”, visita aos polos do Guri Fundação Casa e ao polo Guri São Rafael, e uma programação conjunta com o Consulado Geral da França.

Além de Gilles, a delegação francesa também conta com outros membros destacados. Victor Jacob, maestro francês que recebeu o prêmio “Révélation chef d’orchestre” nos Victoires de la musique franceses em 2023; Patrick Toffin, clarinetista envolvido no desenvolvimento do Démos em toda a França; e François Goutal, responsável pelo Démos em Thouars.

O trio ficou em São Paulo entre 9 e 19 de novembro e suas atividades também incluíram visita aos polos do Guri Penha, Curuçá, Casa Blanca, Perus e São José dos Campos, além de concertos dos Grupos Musicais do Guri. Um dos destaques foi a interação com os grupos de coral, teoria musical e prática de banda do Guri, compostos por alunos de diferentes faixas etárias, entre 8 e 18 anos.

E, além do Guri, houve visita às instalações da Emesp Tom Jobim, outro notável centro de formação musical no país, gerido pela Santa Marcelina Cultura, com uma visão abrangente da excelência musical que floresce no Brasil.

Durante as visitas, os convidados franceses tiveram a oportunidade de participar ativamente dos programas, incentivando o enriquecimento mútuo baseado na vivência das práticas de educação musical e social de cada programa.

Essa colaboração transatlântica serviu para trocar experiências, estratégias de ensino e perspectivas culturais, promovendo uma maior compreensão e fortalecendo laços por meio da linguagem universal da música.


Gaby Amarantos, Marília Mendonça e Tiago Iorc vencem Grammy Latino

Premiação foi entregue nesta quinta-feira (16) na Espanha

O Grammy Latino 2023 foi entregue na tarde desta quinta-feira (16), premiando cantores e artistas da América Latina. A cerimônia foi realizada em Sevilha, na Espanha.

A premiação, uma das mais importantes do cenário musical, tem categorias específicas para trabalhos em língua portuguesa.  

Entre as vencedoras, está a cantora paraense Gaby Amarantos, que ganhou na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa, com Tecnoshow, que mistura ritmos brega e eletrônico. Esta foi a terceira indicação da cantora.

No discurso de agradecimento, ela dedicou o prêmio às mulheres negras, da Amazônia e da periferia.

“Eu sou uma artista da Amazônia, da Floresta Amazônica do Brasil. E faço música da periferia negra de Belém do Pará. Quero agradecer, sou uma artista independente. Estou há 20 anos trabalhando com esse estilo. Recebo com muita honra, alegria esse prêmio reconhecendo a música como música de raízes brasileira. Viva o tecnobrega!”, disse.

O destaque foi o prêmio póstumo a Marília Mendonça na categoria Melhor Álbum de Música Sertaneja, por Decretos Reais, lançado em maio deste ano. A cantora morreu em novembro de 2021, em um acidente aéreo.

“Não é e nunca será a mesma coisa sem você aqui, sabemos quanto você estava focada em buscar esse Grammy e fazer seu tão sonhado discurso em espanhol. Discurso que seria um fomento a união latino-americana através da música, das artes e do respeito. Que só a arte poderia romper as barreiras que a diferença das línguas promover. E temos esperança que o seu legado inspire novos talentos a brilhar e superar as dificuldades”, postou a equipe da cantora nas redes sociais.

A banda de rap e rock Planet Hemp levou dois gramofones nas categorias: melhor álbum de rock ou de música alternativa em língua portuguesa e melhor interpretação urbana em língua portuguesa.

>> Veja abaixo a lista dos brasileiros vencedores do Grammy Latino 2023:

Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa
- Xênia França – Em nome da Estrela
Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa
- Planet Hemp – Jardineiros

Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa
-Planet Hemp e Criolo – Distopia
Melhor Álbum de Samba/Pagode
- Martinho da Vila – Negra Ópera
Melhor Álbum de Música Popular Brasileira
- João Donato – Serotonina

Melhor Álbum de Música Sertaneja
- Marília Mendonça – Decretos Reais

Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa
- Gaby Amarantos – Tecnoshow

Melhor Canção em Língua Portuguesa
- Tiago Iorc e Duda Rodrigues – Tudo O que A Fé pode Tocar

Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa
- Eli Soares - Nós
 

Edição: Carolina Pimentel


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